Israel aprova medidas para expandir controle na Cisjordânia ocupada
Hamas, União Europeia e países árabes reafirmaram que Tel Aviv 'não tem soberania' sobre o território, enquanto a ONG Peace Now disse que governo Netanyahu viola os compromissos internacionais
O Gabinete de Segurança de Israel aprovou uma série de medidas abrangentes para expandir os poderes israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo a facilitação da venda de terras palestinas a colonos e a ampliação dos poderes das autoridades de Tel Aviv em áreas sob controle palestino.
Diante disso, o movimento de resistência palestino, Hamas classificou a abordagem como “fascista colonialista e limpeza étnica promovida pelo governo de ocupação criminoso e extremista, com o objetivo de impor uma falsa soberania e alterar os fatos geográficos e jurídicos no terreno”.
“Nosso povo palestino não se renderá a essas políticas de ocupação, continuará a defender seus direitos históricos e não se desviará da escolha da resistência como caminho para nos livrarmos da ocupação. A legitimidade desta terra foi escrita pelo nosso povo por meio de sua firmeza e resiliência. Tais decisões passageiras não concederão à ocupação nenhum direito a um único centímetro de nossa terra”, afirmou o Hamas em comunicado.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou a decisão israelense como perigosa, ilegal e equivalente a uma anexação de fato, e instou o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Conselho de Segurança da ONU a intervir.
O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia também condenou a decisão, que, segundo ele, “visa impor a soberania ilegal de Israel” e consolidar os assentamentos. As chancelarias do Egito, Indonésia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos também “reafirmaram que Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado”.
Os países condenaram veementemente as decisões e medidas ilegais de Israel destinadas a impor uma soberania israelense ilegítima, consolidar a atividade de assentamentos e impor uma nova realidade jurídica e administrativa na Cisjordânia ocupada, acelerando assim as tentativas de sua anexação ilegal e o deslocamento do povo palestino.
Os ministros afirmaram que essas medidas ilegais na Cisjordânia ocupada são nulas e sem efeito e constituem uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, em particular a Resolução 2334, que condena todas as medidas israelenses destinadas a alterar a composição demográfica, o caráter e o status do território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, bem como o parecer consultivo de 2024 da Corte Internacional de Justiça.
Segundo a agência de notícias Wafa, a Palestina apresentou um pedido urgente à Liga Árabe para a realização de uma sessão extraordinária, a fim de discutir as novas medidas israelenses relativas à Cisjordânia ocupada.
“O pedido para esta reunião surge diante das recentes decisões agressivas do governo de ocupação israelense, que visam expandir os assentamentos coloniais, demolir casas, confiscar terras públicas e privadas e transferir os poderes do município de Hebron para a chamada Administração Civil das autoridades de ocupação, incluindo prejudicar o status e a posição da Mesquita de Ibrahimi”, disse à Wafa o embaixador Muhannad Al-Aklouk, representante permanente do Estado da Palestina junto à liga.
O porta-voz da União Europeia, Anouar El Anouni, afirmou aos jornalistas que a UE “condena as recentes decisões do gabinete de segurança de Israel de expandir o controle israelense na Cisjordânia”, e acrescentou que “essa medida é mais um passo na direção errada”.

Novas medidas aprovadas em Tel Aviv permitem que colonos comprem terras diretamente de palestinos e que Israel assuma poderes sobre água e arqueologia em áreas sob controle da Autoridade Palestina
Hadi Hijjawi / Wikipedia Commons
Violação das terras palestinas
A organização não governamental Peace Now, dedicada ao monitoramento da ocupação da Cisjordânia, alertou que as recentes medidas aprovadas pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu representam mais um passo rumo à anexação ilegal de territórios palestinos.
Segundo a ONG, essas medidas afetam diretamente as áreas A e B, que compreendem cerca de 40% da Cisjordânia e que, de acordo com os Acordos de Oslo, permanecem sob a administração da Autoridade Palestina.
O movimento Peace Now argumenta que essa emenda permitirá que colonos israelenses adquiram terras diretamente de palestinos, sem a necessidade de criar empresas, abrindo caminho para transações imobiliárias fraudulentas e acelerando a expansão de assentamentos ilegais. Trata-se, portanto, da anulação da lei jordaniana de 1953 que restringia a compra de terras a cidadãos árabes.
תגובתנו להחלטת הקבינט:
נתניהו הבטיח למוטט את חמאס בעזה אבל בפועל הוא בחר למוטט את הרשות הפלסטינית, לבטל הסכמים שישראל חתמה עליהם, ולכפות עלינו סיפוח דה פקטו, בניגוד גמור לרצון העם, לאינטרס הישראלי, ולעמדתו הברורה של הנשיא טראמפ.
מהחלטת הקבינט עולה כי לא מדובר בהעמקת הסיפוח בשטחי… pic.twitter.com/DjOTEtKzvy— שלום עכשיו (@PeaceNowIL) February 8, 2026
A organização também criticou o fato de essas resoluções terem sido tomadas pelo Gabinete de Segurança e não pelo Governo em sua totalidade, o que mantém seu conteúdo classificado e fora do alcance do público.
Com relação aos novos poderes administrativos, a organização observou que Israel poderá intervir em questões relacionadas à água, ao meio ambiente e aos sítios arqueológicos nas Áreas A e B. Esses poderes poderiam incluir a gestão de aterros sanitários, incineradores, poços e depósitos, o que afetaria diretamente as comunidades palestinas, violando os Acordos de Oslo assinados em 1990.
O movimento Peace Now também denunciou a violação do Protocolo de Hebron de 1997, ao retirar os poderes do município palestino em matéria de planejamento urbano.
























