Quarta-feira, 4 de março de 2026
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O Gabinete de Segurança de Israel aprovou uma série de medidas abrangentes para expandir os poderes israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo a facilitação da venda de terras palestinas a colonos e a ampliação dos poderes das autoridades de Tel Aviv em áreas sob controle palestino.

Diante disso, o movimento de resistência palestino, Hamas classificou a abordagem como “fascista colonialista e limpeza étnica promovida pelo governo de ocupação criminoso e extremista, com o objetivo de impor uma falsa soberania e alterar os fatos geográficos e jurídicos no terreno”.

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“Nosso povo palestino não se renderá a essas políticas de ocupação, continuará a defender seus direitos históricos e não se desviará da escolha da resistência como caminho para nos livrarmos da ocupação. A legitimidade desta terra foi escrita pelo nosso povo por meio de sua firmeza e resiliência. Tais decisões passageiras não concederão à ocupação nenhum direito a um único centímetro de nossa terra”, afirmou o Hamas em comunicado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou a decisão israelense como perigosa, ilegal e equivalente a uma anexação de fato, e instou o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Conselho de Segurança da ONU a intervir.

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O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia também condenou a decisão, que, segundo ele, “visa impor a soberania ilegal de Israel” e consolidar os assentamentos. As chancelarias do Egito, Indonésia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos também “reafirmaram que Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado”.

Os países condenaram veementemente as decisões e medidas ilegais de Israel destinadas a impor uma soberania israelense ilegítima, consolidar a atividade de assentamentos e impor uma nova realidade jurídica e administrativa na Cisjordânia ocupada, acelerando assim as tentativas de sua anexação ilegal e o deslocamento do povo palestino.

Os ministros afirmaram que essas medidas ilegais na Cisjordânia ocupada são nulas e sem efeito e constituem uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, em particular a Resolução 2334, que condena todas as medidas israelenses destinadas a alterar a composição demográfica, o caráter e o status do território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, bem como o parecer consultivo de 2024 da Corte Internacional de Justiça.

Segundo a agência de notícias Wafa, a Palestina apresentou um pedido urgente à Liga Árabe para a realização de uma sessão extraordinária, a fim de discutir as novas medidas israelenses relativas à Cisjordânia ocupada.

“O pedido para esta reunião surge diante das recentes decisões agressivas do governo de ocupação israelense, que visam expandir os assentamentos coloniais, demolir casas, confiscar terras públicas e privadas e transferir os poderes do município de Hebron para a chamada Administração Civil das autoridades de ocupação, incluindo prejudicar o status e a posição da Mesquita de Ibrahimi”, disse à Wafa o embaixador Muhannad Al-Aklouk, representante permanente do Estado da Palestina junto à liga.

O porta-voz da União Europeia, Anouar El Anouni, afirmou aos jornalistas que a UE “condena as recentes decisões do gabinete de segurança de Israel de expandir o controle israelense na Cisjordânia”, e acrescentou que “essa medida é mais um passo na direção errada”.

O parlamento de Israel aprovou em primeira instância um projeto de lei para anexar a Cisjordânia ocupada

Novas medidas aprovadas em Tel Aviv permitem que colonos comprem terras diretamente de palestinos e que Israel assuma poderes sobre água e arqueologia em áreas sob controle da Autoridade Palestina
Hadi Hijjawi / Wikipedia Commons

Violação das terras palestinas

A organização não governamental Peace Now, dedicada ao monitoramento da ocupação da Cisjordânia, alertou que as recentes medidas aprovadas pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu representam mais um passo rumo à anexação ilegal de territórios palestinos.

Segundo a ONG, essas medidas afetam diretamente as áreas A e B, que compreendem cerca de 40% da Cisjordânia e que, de acordo com os Acordos de Oslo, permanecem sob a administração da Autoridade Palestina.

O movimento Peace Now argumenta que essa emenda permitirá que colonos israelenses adquiram terras diretamente de palestinos, sem a necessidade de criar empresas, abrindo caminho para transações imobiliárias fraudulentas e acelerando a expansão de assentamentos ilegais. Trata-se, portanto, da anulação da lei jordaniana de 1953 que restringia a compra de terras a cidadãos árabes.

A organização também criticou o fato de essas resoluções terem sido tomadas pelo Gabinete de Segurança e não pelo Governo em sua totalidade, o que mantém seu conteúdo classificado e fora do alcance do público.

Com relação aos novos poderes administrativos, a organização observou que Israel poderá intervir em questões relacionadas à água, ao meio ambiente e aos sítios arqueológicos nas Áreas A e B. Esses poderes poderiam incluir a gestão de aterros sanitários, incineradores, poços e depósitos, o que afetaria diretamente as comunidades palestinas, violando os Acordos de Oslo assinados em 1990.

O movimento Peace Now também denunciou a violação do Protocolo de Hebron de 1997, ao retirar os poderes do município palestino em matéria de planejamento urbano.