Quarta-feira, 15 de abril de 2026
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O Procurador-Geral Militar de Israel, major-general Itai Ofir, retirou todas as acusações contra cinco soldados acusados de abusar sexualmente de um detento palestino em um centro de detenção militar, alegando dificuldades com as provas, informaram veículos de imprensa israelenses.

LEIA | Ex-procuradora israelense é presa por vazar vídeo de estupro coletivo contra detento palestino

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Mais de um ano após a divulgação, pela televisão israelense, de imagens do estupro em Sde Teiman — uma instalação no deserto que abriga palestinos detidos durante a guerra genocida de Israel em Gaza —, o caso foi arquivado. Com a decisão de Ofir, os soldados foram liberados para retomar suas atividades normalmente.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que o veredito do Procurador ocorreu em decorrência de “desenvolvimentos significativos” no caso desde a apresentação da denúncia, e após uma revisão de todas as considerações, provas e circunstâncias relevantes.

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A violência ocorrida em 5 de julho de 2024 resultou na internação do detento em um hospital. Um médico da instituição, o professor Yoel Donchin, disse ao jornal israelense Haaretz que ficou tão chocado com o estado do homem que inicialmente presumiu que se tratava de um ato de um grupo armado rival.

A própria acusação militar descreveu os soldados esfaqueando o detento com um objeto pontiagudo perto do reto, causando fraturas nas costelas, perfuração do pulmão e uma laceração interna.

Na época, o Departamento de Estado dos EUA classificou as alegações como “horríveis” e exigiu uma investigação rápida e completa. “Deve haver tolerância zero para qualquer abuso sexual, estupro, de qualquer detento, ponto final”, disse o então porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller.

A ex-chefe do departamento jurídico do exército israelense foi presa no ano passado por seu suposto envolvimento no vazamento de um vídeo de vigilância que mostrava os soldados israelenses estuprando o detento palestino — que foi devolvido a Gaza após ser libertado da prisão israelense. Na época, o ministro das Finanças israelense de extrema-direita, Bezalel Smotrich, disse que os soldados deveriam ser tratados como “heróis, não vilões”.

Anteriormente, os meios de comunicação israelenses, incluindo a emissora pública KAN, afirmaram que Israel libertou o detento torturado em 13 de outubro de 2025, enviando-o para a Faixa de Gaza como parte de um grupo de prisioneiros libertados em virtude do acordo com o grupo palestino de resistência Hamas.

Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e membros de seu governo comemoram o arquivamento do caso, o Comitê Público Contra a Tortura em Israel acusa Ofir de acobertar o escândalo de abusos em Sde Teiman.

“O estado em que o detido chegou ao hospital após ser atacado no centro de detenção não deixa dúvidas quanto aos atos cometidos contra ele e sua gravidade, e as imagens divulgadas pelas câmeras de segurança do local indicam claramente que esses [atos] foram infligidos a ele pelos guardas, que o abusaram com crueldade arrepiante por um longo período”, afirma a organização.

A prisão de Sde Teiman tem sido palco de violações generalizadas contra detidos palestinos, incluindo espancamentos severos, contenção prolongada e negligência médica, que resultaram em mortes, de acordo com a mídia palestina e israelense e relatórios de direitos humanos.

O arquivamento do caso reacende as discussões sobre a impunidade pelos maus-tratos infligidos a palestinos, tanto na ocupação ilegal quanto sob custódia israelense.