Terça-feira, 16 de junho de 2026
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Tendo como principal objetivo atingir a Geração Z dos Estados Unidos, recentemente, o governo de Israel fechou um contrato milionário com a ‘Clock Tower X LLC’, uma agência alinhada aos interesses da extrema direita que atua fornecendo comunicações estratégicas e serviços de mídia – incluindo design, execução e implantação de campanhas políticas e culturais – por meio das plataformas digitais, como TikTok, Instagram, YouTube, podcasts, entre outras.

Pelo valor negociado de US$ 6 milhões (mais de 31 milhões de reais, na cotação atual), quem estará responsável pelo trabalho conjunto com a gestão israelense é Brad Parscale, o ex-gerente de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

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Um documento da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA, na sigla em inglês) acessado pela reportagem mostra que Parscale cadastrou a empresa Clock Tower X em 18 de setembro de 2025. A FARA é administrada pelo Departamento de Justiça dos EUA e exige que entidades que atuam em nome de governos ou órgãos estrangeiros se registrem publicamente para aumentar a transparência nas atividades de lobby e de influência política. 

“O Registrante deverá fornecer comunicações estratégicas, planejamento e serviços de mídia em apoio ao engajamento da Havas pelo Estado de Israel para desenvolver e executar uma campanha nacional nos Estados Unidos para combater o antissemitismo”, diz o documento sobre o papel de Parscale. A “Havas Media Network” mencionada no trecho é uma empresa de mídia internacional que trabalha para a chancelaria israelense por meio da Agência de Publicidade do Governo de Israel. 

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O documento acrescenta também como nome de referência Eran Shayovich, chefe de gabinete do Ministério das Relações Exteriores de Israel, que atualmente lidera o chamado “projeto 545”, uma campanha que prevê “ampliar os esforços de comunicação estratégica e diplomacia pública de Israel”.

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Wikimedia Commons/Jernej Furman

Na prática, como funciona?

De acordo com o Quincy Institute for Responsible Statecraft, um think tank norte-americano que defende a contenção na política externa, pelo menos 80% do conteúdo a ser produzido pela empresa contratada será “adaptado ao público da Geração Z em todas as plataformas, incluindo TikTok, Instagram, YouTube, podcasts e outros canais digitais e de transmissão relevantes”, tendo como meta mínima de alcance 50 milhões de impressões por mês.

Além disso, o think tank revela que a iniciativa inclui a criação de novos sites para influenciar modelos de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, “em nome de Israel”. Detalha ainda que, a Clock Tower X também usará uma plataforma para otimizar os mecanismos de pesquisa MarketBrew AI – um dispositivo de SEO que ajuda os clientes a se adaptarem aos algoritmos e permite a promoção do trabalho em páginas de buscas como Google e Bing, para “melhorar a visibilidade”.

“A Clock Tower integrará suas mensagens pró-Israel nas propriedades da Salem Media Network, um grupo de mídia cristão conservador que possui uma vasta rede de rádio e produz programas de alto nível, como o Hugh Hewitt Show, o Larry Elder Show e o Right View with Lara Trump. Em abril, a rede de mídia conservadora anunciou Donald Trump Jr. e Lara Trump como partes interessadas significativas na empresa”, acrescenta o Responsible Statecraft. Vale ressaltar que Parscale é também diretor de estratégia do Salem Media Group.

Trata-se de um mecanismo para amenizar a crescente rejeição norte-americana a Israel. Em julho, uma pesquisa Gallup apontou que cada vez mais a população dos EUA tem rechaçado o genocídio promovido por Tel Aviv na Faixa de Gaza. Segundo o levantamento, apenas 9% dos cidadãos norte-americanos com idades entre 18 e 34 anos apoiavam as ações militares do regime sionista no território palestino.

Na última segunda-feira (29/09), uma pesquisa do New York Times revelou que a opinião pública norte-americana a Israel sofreu uma reviravolta desde o início do massacre televisionado. Pela primeira vez desde 1998, o apoio aos palestinos foi maior do que com os israelenses: 34% disseram estar do lado de Israel e 35% da Palestina, enquanto 31% afirmaram apoiar ambos ou não saber responder. Após os ataques de 7 de outubro de 2023, a situação era inversa: 47% se diziam pró-Israel contra 20% pró-Palestina.