Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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O genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza destruiu nove das dez clínicas de fertilização in vitro do enclave, assolando diretamente os sonhos de mulheres palestinas que dependiam dos centros de fertilidade para realizar o desejo de ter filhos.

Segundo a emissora Al Jazeera, casais que congelaram embriões em centros de fertilidade, aguardando o fim do conflito para terem seus filhos, não poderão dar sequência aos seus planos, nem ao menos acessar seus embriões, uma vez que as clínicas foram atacadas por Israel.

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Esse é o caso da palestina Maysera al-Kafarna e de seu marido. “Tínhamos quatro embriões viáveis armazenados lá nos primeiros meses da guerra. Ficamos chocados ao saber que eles haviam sido destruídos quando a clínica foi atacada”, relatou a mulher à Al Jazeera.

“Foi profundamente doloroso. Sentimos como se tivéssemos perdido uma parte de nós mesmos. Estávamos esperando a oportunidade de ter nosso bebê”, acrescentou.

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Diante de um sistema de saúde destruído pelo genocídio, mesmo na clínica que ainda resiste diante dos ataques, os embriões que restaram ainda correm perigo. Apesar do cessar-fogo, a escassez de combustível e a falta de nitrogênio líquido impedem que os embriões sejam mantidos na temperatura necessária.

A Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a constatar que os ataques israelenses a clínicas de fertilização e maternidades fazem parte de uma campanha sistemática contra a existência do povo palestino.

Em setembro de 2024, uma Comissão de Inquérito da ONU concluiu que Israel havia praticado quatro dos cinco atos previstos no direito internacional sobre genocídio durante a guerra na Faixa Gaza, incluindo esforços para impedir nascimentos.

Segundo os investigadores das Nações Unidas, “os ataques a instalações de saúde, incluindo aquelas que oferecem serviços e cuidados de saúde sexual e reprodutiva, afetaram cerca de 545 mil mulheres e meninas em idade reprodutiva em Gaza”.

Além dos ataques diretos a instalações de saúde reprodutiva, o bloqueio israelense ao fornecimento de medicamentos e alimentos prejudicou ainda mais a saúde de bebês recém-nascidos e impactou negativamente as taxas de natalidade no enclave.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, houve uma queda de 41% nos nascimentos no primeiro semestre de 2025 em comparação com os três anos anteriores. Segundo um estudo da organização Médicos pelos Direitos Humanos, sediada nos EUA, “a incapacidade de acesso a cuidados médicos e nutrição adequada prejudicou a capacidade reprodutiva, causando infertilidade, aborto espontâneo, complicações e morte materna em mulheres, além de resultados negativos para a saúde dos recém-nascidos”.