Segunda-feira, 20 de abril de 2026
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As forças de ocupação israelenses continuam suas agressões aos palestinos. Além das violências físicas, bloqueios de vias e imposição de checkpoints, agora as famílias estão sendo obrigadas pelas autoridades de Israel a demolir suas próprias casas.

A “autodestruição” assombra os palestinos que vivem em Jerusalém Oriental, região controlada por Israel desde 1967 e ilegalmente unida a Jerusalém Ocidental sob uma administração israelense.

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Um exemplo é o casal Basema Dabash e Raed, que desde 2014 são ameaçados pela ordem de demolição da sua casa em Sur Baher, no sul da Jerusalém Oriental ocupada. Na mesma época, a família recorreu ao tribunal israelense para suspender a intimação. Entretanto, em janeiro deste ano, chegou o aviso de despejo. Em 12 de fevereiro, a família foi obrigada a demolir sua casa. Caso contrário, teriam que pagar à prefeitura para realizar a demolição.

“Fomos obrigados a começar a demolir a casa nós mesmos para evitar as taxas de demolição da prefeitura, que podem chegar a 100.000 shekels [R$ 167.988,60]”, disse Basema, de 51 anos, à emissora catari Al Jazeera. “Começamos demolindo o interior da casa e enviamos fotos para a prefeitura para confirmar que tínhamos iniciado a demolição, mas eles exigiram que a demolíssemos pelo lado de fora o mais rápido possível.”

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Apesar de terem demolido a casa, a família ainda precisa pagar uma multa de 45.000 shekels (R$ 75.594,87), que continuará sendo paga em parcelas até 2029.

A família Dabash tentou obter licença de construção para a casa diversas vezes, mas seus pedidos foram rejeitados por Israel. Apesar disso, a prefeitura multa palestinos e demole suas casas sob o pretexto de falta de licenças.

Enquanto os assentamentos israelenses ilegais se expandem em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia ocupada com facilidade para obter licenças, os palestinos denunciam a evidente disparidade de tratamento.

A Human Rights Watch constatou que as autoridades israelenses tornam “praticamente impossível para os palestinos obterem licenças de construção”, e a organização israelense de direitos humanos B’Tselem afirmou que as políticas de planejamento em Jerusalém Oriental tornam “muito difícil para os moradores obterem licenças de construção”.

Marouf al-Rifai, porta-voz da Governadoria de Jerusalém da Autoridade Palestina, disse à Al Jazeera que 15 autodemolições foram realizadas em fevereiro passado, cinco em janeiro e 104 em dezembro.

As Nações Unidas relataram que as demolições em 2025 deslocaram 1.500 palestinos. O funcionário da Autoridade Palestina acrescentou que as notificações de demolição de casas palestinas em Jerusalém aumentaram de 25.000 antes da guerra para 35.000. Somente a cidade de Silwan recebeu 7.000 notificações de demolição desde 1967.