Domingo, 8 de fevereiro de 2026
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Israel começou a reabrir neste domingo (01/02) a passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, sob condições rigorosas. O posto de fronteira, vital para o transporte de ajuda humanitária para os territórios palestinos, está praticamente fechado desde maio de 2024.

Por enquanto, entretanto, a medida é parcial e o acesso será limitado a residentes do território. A reabertura de Rafah, a única passagem entre Gaza e o mundo exterior que contorna Israel, é exigida pela ONU e por ONGs internacionais para permitir o acesso da ajuda humanitária ao território palestino, devastado por mais de dois anos de genocídio.

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A reabertura completa faz parte do plano de cessar-fogo elaborado por Washington e assinado em outubro entre Tel Aviv e o grupo palestino Hamas. Mas as restrições impostas por Israel estão muito aquém das necessidades, ao limitar a passagem apenas a pessoas. “Uma fase piloto inicial começou hoje em coordenação com a Missão da União Europeia em Gaza e as autoridades competentes”, afirmou o COGAT, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.

Segundo um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, “cerca de 200 pacientes” aguardavam no domingo a liberação da passagem de fronteira para poderem viajar ao Egito em busca de tratamento. Além disso, 40 funcionários da Autoridade Palestina aguardavam no Egito a aprovação israelense para passar, disse um funcionário palestino à AFP.

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A reabertura limitada ocorre em meio a um frágil cessar-fogo entre Israel e o movimento palestino Hamas. No sábado (31/01), ataques aéreos israelenses mataram 32 pessoas, segundo a Defesa Civil de Gaza, em um dos dias mais violentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025. 

A passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, está praticamente fechada desde maio de 2024 por Israel
Wikimedia Commons/Ashraf Amra

Palestinos esperam poder poder sair

A passagem de fronteira está fechada desde que as forças israelenses assumiram o seu controle, em maio de 2024, com exceção de uma liberação parcial no início de 2025, durante um cessar-fogo anterior. Israel havia alertado que Rafah só seria reaberta após a devolução do corpo de Ran Gvili, o último refém mantido em Gaza desde o início do conflito. Seu corpo foi devolvido em 26 de janeiro.

Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinos esperam poder sair. “A cada dia que passa, meu estado piora e minha vida está se esvaindo”, lamenta Mohammed Shamiya, um homem de 33 anos que sofre de doença renal e necessita de diálise.

Safa al-Hawajri, uma jovem de 18 anos que recebeu uma bolsa de estudos para estudar no exterior, também está esperando. Toda a sua “esperança de realizar suas ambições está ligada à reabertura” de Rafah, explica ela.

A reabertura de Rafah, quando completa, também deverá permitir a entrada em Gaza dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), encarregados de administrar o território durante um período de transição sob a supervisão do “Conselho de Paz”, presidido por Donald Trump.

Israel dá ultimato à Médicos Sem Fronteiras

Neste domingo, Tel Aviv decidiu encerrar as operações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) nos territórios palestinos a partir de 28 de fevereiro, devido à recusa da organização em fornecer uma lista de seus funcionários palestinos. O anúncio foi feito pelo Ministério da Diáspora, responsável pelo registro de organizações humanitárias, salientando que a obrigação é “aplicável a todas as organizações humanitárias que atuam na região”.