Terça-feira, 3 de março de 2026
APOIE
Menu

O Judiciário chileno está avaliando uma denúncia criminal contra um ex-atirador de elite do exército israelense que serviu em Gaza durante o genocídio cometido por Israel contra o enclave costeiro e o povo palestino, que durou mais de dois anos, segundo apurações da emissora Al Jazeera.

O israelense-ucraniano, Rom Kovtun, serviu como atirador de elite no 424º Batalhão Shaked de Israel em Gaza e revelou em suas redes sociais que estava passando férias no Chile, abrindo caminho para o que especialistas jurídicos chamam de “jurisdição universal”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Segundo o canal do Catar, as imagens publicadas online mostram Kovtun nadando em um lago na região centro-sul do Chile com ex-soldados israelenses.

“Sua habilidade para postar fotos de momentos de lazer e aventuras em tempos de guerra no Instagram permitiu que a Fundação Hind Rajab apresentasse uma queixa-crime no Chile, acusando-o de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade”, afirma a reportagem.

Mais lidas

A Fundação Hind Rajab (HRF, por sua sigla em inglês) reuniu uma equipe global de advogados e ativistas para construir casos jurídicos, baseando-se principalmente em postagens em mídias sociais publicadas pelos próprios soldados israelenses.

Legislação do Chile

Segundo o advogado da HRF, Pablo Andres Araya, a legislação interna chilena inclui o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), permitindo que os tribunais exerçam jurisdição universal em algumas ocasiões.

À Al Jazeera, o advogado afirmou que “isso se aplica quando fica claro que a pessoa acusada desses crimes não será julgada em seu país de origem”. “E não há dúvida de que os soldados que cometeram atrocidades em Gaza não serão julgados pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu”.

A jornalista Newman relatou que Kovtun cercou o maior hospital do enclave, al-Shifa, entre março e abril de 2024, supostamente desempenhando um papel fundamental na morte em massa de civis e na destruição que se seguiu.

De acordo com o canal catari, o cerco privou todas as pessoas dentro do prédio de água, comida, remédios e eletricidade, resultando na morte de cerca de 500 médicos, enfermeiros e pacientes, incluindo bebês recém-nascidos.

Rom Kovtun,, ex-atirador de elite de Israel
Fundação Hind Rajab

Portas fechadas

Newman afirmou que o Chile é um “destino de férias favorito para os soldados israelenses que concluíram o serviço militar. Mas eles já não são tão bem-vindos”.

O país sul-americano abriga a maior diáspora palestina fora do Oriente Médio, e estudos e análises apontam que há, no Chile, uma percepção amplamente favorável à causa palestina em setores significativos da sociedade.

No entanto, Newman observou que nada disso teria “qualquer influência no caso”.

“Trata-se de uma questão judicial complexa e puramente legal que pode levar tempo, tempo suficiente para que o ex-atirador israelense possa já ter falecido”, acrescentou.