Segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
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A França emitiu mandados de prisão contra duas mulheres franco-israelenses acusadas de bloquear comboios de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza sitiada, durante o genocídio israelense, informou o jornal Le Monde nesta segunda-feira (02/02).

Os mandados foram expedidos na sequência de denúncias apresentadas por cidadãos franco-palestinos e grupos de direitos humanos, que instaram as autoridades francesas a agir contra os cidadãos com dupla nacionalidade que desempenharam um papel direto na obstrução da assistência vital à catástrofe humanitária em Gaza.

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Segundo informações do Le Monde confirmadas pelas partes civis envolvidas no processo e seus advogados, dois mandados de prisão foram expedidos no verão de 2025 contra as mulheres nascidas na França e agora residentes em Israel: Nili Kupfer-Naouri, fundadora e presidente da associação Israel Is Forever, cujo objetivo é a “mobilização de forças sionistas francófonas”, e Rachel T., porta-voz do coletivo Tsav 9.

Em junho de 2024, o Departamento de Estado dos EUA designou o Tzav 9 como um “grupo extremista israelense violento que tem bloqueado, assediado e danificado comboios que transportam ajuda humanitária vital para civis palestinos em Gaza”.

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Ao longo de meses, pessoas ligadas ao grupo visaram rotas de ajuda humanitária da Jordânia para Gaza, inclusive na Cisjordânia ocupada, utilizando bloqueios rodoviários que, por vezes, se tornaram violentos. Eles também vandalizaram caminhões e despejaram suprimentos vitais nas estradas, enquanto o bloqueio de ajuda israelense empurrava Gaza ainda mais para a fome.

De acordo com o Le Monde, o coletivo franco-palestino Nidal, do qual uma das partes civis — que prefere permanecer anônima por razões de segurança — é membro, acredita que “estes mandados de prisão demonstram a força da diáspora franco-palestina, que está construindo sua resistência legal em busca da justiça que merece. Durante anos, essa pessoa [Nili Kupfer-Naouri] vem fazendo declarações apologéticas por crimes contra a humanidade e genocídio. Estamos muito satisfeitos por que o sistema judiciário francês esteja finalmente assumindo o caso.”

Entretanto, três importantes associações palestinas, Al-Haq, Al-Mezan e o Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR), também são partes civis neste caso. “Esses mandados de prisão representam o primeiro reconhecimento judicial de que privar deliberadamente os palestinos em Gaza de ajuda humanitária pode constituir cumplicidade em genocídio”, reagiu Clémence Bectarte, advogada das três, segundo o jornal francês. Essas três ONGs, especializadas na defesa jurídica dos direitos palestinos, foram alvo de sanções dos EUA (congelamento de bens, proibições bancárias e de viagens) por seu envolvimento em processos judiciais internacionais que desafiam a impunidade de Israel.