Líder do Hamas descarta desarmamento do grupo, mas promete conter ações contra Israel
Em entrevista à Al Jazeera, Khaled Meshaal argumenta que entregar as armas ‘removeria a alma’ da organização e a impediria de reagir contra violações de Tel Aviv ao acordo
O líder palestino Khaled Meshaal, porta-voz do grupo de resistência Hamas no exterior, disse nesta quarta-feira (10/12), em entrevista ao canal catari Al Jazeera, que a organização não pretende entregar as armas, apesar das pressões do governo de Israel para que essa medida seja tomada.
Segundo Meshaal, um possível desarmamento “removeria a alma” do grupo e o impediria de tomar medidas para conter quaisquer futuros ataques contra Israel na Faixa se Gaza.
“Estamos discutindo essa ideia que estamos discutindo com os mediadores (do acordo de paz), e creio que poderíamos chegar a um acordo sobre isso, se contarmos com certo pragmatismo por parte da representação estadunidense”, disse o porta-voz palestino.
A declaração se aconteceu durante entrevista ao programa Mawazin, do canal Al Jazeera, sobre as posições do Hamas sobre as negociações relativas à segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, documento assinado em outubro deste ano.
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O governo israelense, liderado pelo premiê sionista Benjamin Netanyahu, afirma que o desarmamento total do Hamas é a principal condição para se alcançar um acordo para a segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
As negociações para a segunda fase do acordo de cessar-fogo no território palestino estão sendo mediada por representantes diplomáticos do Catar, Egito e Estados Unidos, os mesmos países que encabeçaram as conversas sobre a primeira fase do mesmo acordo.
Tony Blair sai de cena
Em outro momento da entrevista, Meshaal criticou os rumores sobre possíveis nomes para compor o chamado “Conselho da Paz” criado pelos Estados Unidos e afirmou que o grupo não aceitará nenhuma autoridade governamental que não seja composta por palestinos.
Nesse sentido, o líder palestino disse ter considerado positiva a informação de que o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair desistiu de sua candidatura a interventor em Gaza, devido à oposição manifestada por vários estados árabes e muçulmanos.

Khaled Meshaal, porta-voz do Hamas, em entrevista ao canal Al Jazeera
Captura de tela / Al Jazeera
Violações de Israel
As declarações de Meshaal acontece após a publicação de um comunicado oficial no qual o Hamas afirma que Israel “continua violando sistematicamente os compromissos assumidos na primeira fase do acordo de cessar-fogo”, em referência ao documento assinado por ambas as partes em outubro deste ano, após negociações mediadas por Catar, Egito e Estados Unidos.
Segundo o Hamas, se Israel manter a postura que tem demonstrado desde a assinatura do acordo, “não há base para avançar para a fase dois” do cessar-fogo, já que Tel Aviv estaria “impedindo o cumprimento integral da fase um e a cessação genuína de todas as violações”.
A declaração foi assinada por outro líder do grupo, Hussam Badran, membro da cúpula política do grupo, que acusou Tel Aviv de “violar aberta e sistematicamente” o acordo finalizado há cerca de dois meses.
“Em 60 dias, Israel violou o acordo 798 vezes, por meio de bombardeios e ataques constantes contra civis, destruição de infraestrutura, anexação de território palestino, obstrução da ajuda humanitária e detenções arbitrárias, entre outros crimes”, afirmou Badran.
O líder palestino também afirmou que as ações impulsionadas por Tel Aviv nos últimos dois meses resultaram na morte de 377 civis palestinos, “a maioria deles crianças, mulheres e idosos”, e deixou quase mil pessoas feridas.
Na terça-feira, o Hamas afirmou o cessar-fogo não pode avançar se Israel continuar violando o acordo, com as autoridades dizendo que a trégua foi violada pelo menos 738 vezes desde que entrou em vigor em 10 de outubro.
Com informações da Al Jazeera.























