Líderes do Hamas e outras facções palestinas negociam segunda fase do cessar-fogo no Egito
Em meio a discussões sobre um comitê administrativo sob supervisão de Trump, grupo palestino prioriza fim da ocupação e entrada de ajuda humanitária no território
Líderes do Hamas e de outras facções palestinas estão no Cairo, Egito, para negociar a segunda fase de um acordo de cessar-fogo liderado e imposto pelos Estados Unidos. As conversas ocorrem em meio a uma trégua instável, que Israel tem violado repetidamente.
De acordo com a emissora catari Al Jazeera, o grupo palestino saudou, nesta quinta-feira (15/01), a criação de um comitê tecnocrático palestino de 15 membros. O comitê operaria sob a supervisão de um chamado “Conselho da Paz”, que seria presidido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Bassem Naim, um importante líder do Hamas, disse ao veículo: “A formação do comitê é um passo na direção certa. Isto é crucial para consolidar o cessar-fogo, evitar o regresso à guerra, enfrentar a crise humanitária catastrófica e preparar uma reconstrução abrangente.”
Apesar do otimismo declarado, persistem grandes incertezas sobre os próximos passos, que envolvem questões espinhosas como o desarmamento, a reconstrução e a governança diária de Gaza. Um assessor do chefe do gabinete político do Hamas declarou à Al Jazeera que as discussões no Cairo estão focadas na reabertura das passagens de Rafah, garantindo a entrada da ajuda atualmente estocada no lado egípcio da fronteira e assegurando a retirada israelense.
Taher al-Nunu também afirmou a emissora catari que o grupo “deve trabalhar com mediadores e a comunidade internacional para alcançar a calma e o retorno à normalidade em Gaza” e acusou Israel de tentar sabotar o cessar-fogo, dizendo que o Hamas estava “trabalhando com mediadores para abrir as passagens, permitir a entrada de ajuda humanitária e garantir a retirada das forças de ocupação da Faixa de Gaza”.

A segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza incluirá negociações sobre o desarmamento de grupos armados palestinos, incluindo o Hamas
Hamas Images
Hussein al-Sheikh, um dos principais líderes da Autoridade Palestina (AP), saudou os esforços para avançar com o plano para Gaza e argumentou que as instituições em Gaza devem estar ligadas às administradas pela AP na Cisjordânia, “defendendo o princípio de um sistema, uma lei e uma arma legítima”.
Em uma declaração conjunta sobre o comitê, os outros mediadores do acordo – Egito, Turquia e Catar – classificaram o anúncio como um “desenvolvimento importante que visa consolidar a estabilidade e melhorar a situação humanitária na Faixa de Gaza”. Eles apoiaram a criação do comitê tecnocrático palestino e disseram que ele seria liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina.
O órgão administrativo terá a tarefa de fornecer serviços públicos aos mais de dois milhões de palestinos em Gaza, mas enfrenta desafios enormes e questões sem resposta, inclusive sobre seu funcionamento e financiamento. As Nações Unidas estimam que a reconstrução custará mais de 50 bilhões de dólares. O processo deverá levar anos, e até agora pouco dinheiro foi prometido.
Shaath declarou à emissora local Basma Radio, nesta quinta-feira (15/01), que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) será totalmente integrado à Autoridade Palestina sob o princípio de “uma pátria, um sistema” e que nenhum membro estrangeiro será incluído.
Sua jurisdição se expandirá para abranger toda a Faixa de Gaza à medida que as forças israelenses se retiram, disse Shaath na entrevista, e não haverá contato entre seus membros e os grupos armados palestinos.
Além disso, os esforços de reconstrução serão financiados por um fundo específico do Banco Mundial, apoiado por doadores árabes e internacionais. Os detritos da guerra seriam reciclados para construção de estradas ou utilizados em aterros marítimos para criar ilhas artificiais.
Segundo ele, a remoção completa dos escombros deverá levar quase três anos, de acordo com a estratégia proposta.
Shaath acrescentou que abrigos para palestinos deslocados seriam construídos nos primeiros seis meses e que o reparo de usinas de dessalinização para obtenção de água potável e a reabilitação de escolas e outras instituições acadêmicas seriam prioridades máximas.
























