Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (23/01) da cerimônia de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocasião em que fez um discurso com ênfase nos conflitos internacionais vigentes na atualidade e no papel do Brasil diante desse cenário.

Em um dos trechos mais importantes do pronunciamento, Lula criticou a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “criar uma nova ONU”, em referência ao “Conselho da Paz”, promovido pelo líder norte-americano.

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“O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, está prevalecendo a lei do mais forte, a Carta da ONU está sendo rasgada, e em vez de a gente corrigir a ONU, que é algo que a gente reivindica desde o meu primeiro mandato, em 2003, com a reforma da ONU, com a entrada de novos países como o Brasil, o México, os países africanos, o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta para criar uma nova ONU, e que ele sozinho seja o dono da ONU”, comentou o presidente.

Lula também disse que tem conversado nos últimos dias com diferentes presidentes e primeiros-ministros, mencionando Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia), Viktor Orbán (Hungria), Claudia Sheinbaum (México), para “tentar ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão e evitar que predomine a força da arma da intolerância de qualquer país do mundo”.

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Em seguida, o mandatário enfatizou que “o Brasil não tem preferência de relação. O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, com Cuba, com a China, com a Índia, com a Rússia… o que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém querer mandar da gente”.

Na mesma linha, Lula afirmou ser “um homem da paz”, e que “não quero guerra armada com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, não quero nem com Uruguai ou com a Bolívia. Eu quero fazer a guerra com o poder do convencimento, com o argumento, mostrando que a democracia é imbatível”.

Questão palestina

No discurso, Lula também falou sobre o cenário atual na Faixa de Gaza. “Vocês viram a fotografia do que eles (Estados Unidos) vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que agora vamos recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu? E as pessoas pobres que estão lá? Vão morar onde?”, questionou.

“Em vez disso, poderiam chamar o Brasil: ‘ô Lula, vem aqui, ensine a gente como é que reconstrói Gaza para pobre. Poderiam fazer o Minha Casa Minha Vida e colocar o povo pobre para morar decentemente, como a gente coloca aqui no Brasil”, acrescentou o presidente brasileiro.

Lula discursou em evento do MST realizado em Salvador
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Situação na Venezuela

Lula também falou sobre o sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela. “O (presidente venezuelano Nicolás) Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça”, analisou.

“Os caras (militares norte-americanos) entram à noite na Venezuela, vão no forte, que é um quartel onde morava o Maduro, e levam o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país?”, indagou Lula.

Ao repudiar tal situação, o mandatário ressaltou que “a América do Sul é um território de paz. A gente não tem armas nucleares, a gente não tem bomba atômica, a gente só tem gente pobre que quer trabalhar e quer viver, que quer comer, quer almoçar, quer jantar, quer estudar. A gente não quer guerra”.

“O que nós temos para mostrar para eles é o nosso caráter e a nossa dignidade. A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade. E a gente não vai baixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja. A gente vai conversar olho no olho, de cabeça erguida, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo!”, concluiu o presidente Lula.