Mais de 200 personalidades de destaque da cultura mundial lançaram um apelo ao governo israelense pela libertação do líder palestino Marwan Barghouti, mantido preso há 23 anos por Israel.
Considerado o “Mandela palestino”, o político é o mais popular entre o povo palestino e apontado com o único capaz de consolidar uma unidade nacional das forças políticas e avançar na criação dos dois Estados.
A campanha #FreeMarwan, intensificada nas últimas semanas nas redes sociais e no site freemarwan.org, visa colocar a libertação de Barghouti em pauta neste momento de discussão da segunda fase do plano de paz de Donald Trump para a região.
“Expressamos nossa profunda preocupação com a continuação do encarceramento de Marwan Barghouti, seu tratamento violento e a negação de seus direitos legais enquanto preso. Conclamamos as Nações Unidas e os governos do mundo a buscarem ativamente a libertação de Marwan Barghouti da prisão israelense”, afirmam escritores, artistas, músicos, atores e intelectuais que aderiram à campanha.
The Guardian destaca, entre os signatários, as escritoras Margaret Atwood, Zadie Smith, Annie Ernaux e Philip Pullman. Os atores Ian McKellen, Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Mark Ruffalo e Josh O’Connor; além do ex-jogador e apresentador Gary Lineker.
A declaração também conta com a participação dos músicos Sting, Paul Simon, Brian Eno e Annie Lennox, além de figuras como o apresentador Stephen Fry, a escritora culinária Delia Smith, o diretor Richard Eyre, o artista Ai Weiwei, o empresário Richard Branson e vários outros.

“Conclamamos as Nações Unidas e os governos do mundo a buscarem ativamente a libertação de Barghouti”, afirmam artistas em declaração
Campanha #FreeMawdan
Pesquisas de opinião, consistentemente colocam o parlamentar, eleito à época de sua prisão, como a principal escolha do povo para comandar a Autoridade Palestina, destaca o jornal britânico.
“Em 15 de abril de 2002, soldados israelenses disfarçados em uma ambulância capturaram Marwan em Ramallah, onde ele atuava como líder político e parlamentar eleito. Ele foi levado para Israel em violação às Convenções de Genebra e posteriormente condenado em um julgamento amplamente condenado como ilegítimo e politicamente motivado”, afirma o texto de apresentação da campanha.
O site lembra que “a União Interparlamentar — representando mais de 181 parlamentos nacionais — encontrou ‘inúmeras violações do direito internacional’ em seu caso e concluiu que era ‘impossível afirmar que o Sr. Barghouti teve um julgamento justo’.
Também afirma que a resistência do governo israelense à sua soltura, quando centenas de prisioneiros políticos palestinos foram libertados como parte das negociações em Gaza, deve-se “não por algo que ele tenha feito, mas por causa do que ele representa: esperança. Esperança para a unidade palestina, renovação democrática e um caminho crível rumo à justiça e à paz”.
Como destacou a escritora e advogada britânico-palestina, Selma Dabbagh, que subscreveu a declaração, “o julgamento de Marwan Barghouti foi amplamente reconhecido como uma farsa. A entidade que representa parlamentos ao redor do mundo — a União Interparlamentar — realizou sua própria avaliação e concluiu que o processo era profundamente falho”.
“A libertação de Marwan seria um passo crucial para permitir que os palestinos determinem sua própria liderança, seja ela qual for’, acrescentou a escritora.
A pressão se intensifica ante ao avanço do governo israelense com a legislação que permite a aplicação da pena de morte a prisioneiros palestinos, o que poderia incluir Barghouti.
Como destaca o texto de apresentação da campanha, “um chamado para libertar Marwan é um chamado para libertar todos os presos políticos palestinos”.
Barghouti é um dos 10.000 presos políticos palestinos – incluindo 350 crianças – que Israel atualmente mantém em sua rede de prisões, informa a campanha #FreeMarwan, ao detalhar que “mais de um terço são detidos administrativos, mantidos sem acusação ou julgamento” e que, desde outubro de 2023, quase 100 palestinos foram mortos sob custódia israelense.
A campanha também destaca que, como tantos presos políticos palestinos, “Marwan foi submetido a confinamento solitário, tortura severa e condições de fome que aumentaram drasticamente desde 7 de outubro de 2023”, lembrando que ele “foi espancado até perder a consciência por oito guardas nas semanas após o ministro de extrema-direita Itmar Ben-Gvir ameaçá-lo em vídeo”.
“A história nos mostra que vozes culturais podem mudar o curso da política. Assim como a solidariedade global ajudou a libertar Nelson Mandela, todos nós temos o poder de acelerar o dia em que Marwan Barghouti caminhará livre. Sua libertação marcaria um ponto de virada nessa longa luta e traria a todos nós a esperança tão necessária”, afirmou Brian Eno.