Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Uma coalizão de grupos internacionais de direitos jurídicos e de defesa divulgou um comunicado alertando que a Microsoft – que inclui as suas lideranças – pode ser legalmente responsável por ter incentivado o genocídio israelense na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada por intermédio de serviços tecnológicos que facilitaram a espionagem de palestinos e aceleraram os ataques na região.

O Centro de Direitos Constitucionais (Center for Constitucional Rights, CCR, na sigla em inglês), que está sediado em Nova York e é formado por sete grupos de direitos humanos, endereçou uma carta de 19 páginas diretamente a Satya Nadella, CEO da Microsoft, como também ao presidente Brad Smith, três dias antes da assembleia anual da empresa, convocada para esta sexta-feira (05/12). O documento em questão, que menciona “grave violação de direitos humanos”, expõe a relação compartilhada entre a Microsoft e o Exército israelense, bem como o papel significativo que a corporação desempenhou no avanço dos crimes de guerra e contra a humanidade em Gaza.

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“Ao fazer isso, a Microsoft, sua liderança e seus oficiais, individualmente, estão se expondo à responsabilidade criminal e civil por violações graves do direito internacional e doméstico dos Estados Unidos”, diz a CCR.

“A lei europeia é explícita: se seus sistemas permitirem materialmente crimes de atrocidade ou vigilância ilegal em nível populacional, você herda uma exposição legal séria”, acrescenta, por sua vez, Gearóid Ó Cuinn, diretor da Global Legal Action Network, um dos signatários.

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De acordo com a coalizão de assistência jurídica, a Microsoft forneceu “serviços importantes” às forças terrestres, aéreas e navais israelenses, incluindo o “Mamram”, o sistema central de inteligência militar. Esta plataforma teria recebido apoio imediato da empresa norte-americana nos estágios iniciais da intensificação do genocídio, a partir de 7 de outubro de 2023.

“A escala a velocidade do genocídio de Israel teriam sido impossíveis sem a intervenção da Microsoft”, aponta a carta. “Investigações publicadas em agosto de 2024 revelam que sistemas militares internos israelenses não tinham capacidade para lidar sozinhos com os dados necessários para o ataque, pois esses sistemas foram rapidamente sobrecarregados pelo influxo de novos dados no início do genocídio, forçando o exército a utilizar empresas como a Microsoft, que ofereciam grandes melhorias operacionais: armazenamento e poder de processamento praticamente ilimitados, servidores localizados fora das bases militares israelenses e ferramentas avançadas de IA”.

Manifestante pró-Palestina segura cartaz em protesto à cumplicidade da Microsoft com o genocídio de Israel em Gaza
X/No Azure for Apartheid

O papel da Microsoft no genocídio

Em agosto deste ano, os veículos The Guardian, +972 Magazine e Local Call divulgaram um relatório em apuração conjunta que revelou que a Unit 8200, uma agência de vigilância militar israelense, tem armazenado milhões de chamadas telefônicas interceptadas de palestinos nos servidores da Microsoft na Europa. Após a revelação, a empresa anunciou ter aberto uma investigação interna sobre o uso de sua plataforma de nuvem Azure.

Segundo o relatório da imprensa, a Unit 8200 — comparável à Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos — utilizava um ambiente segregado dentro da Azure para guardar gravações de ligações diárias vindas do território palestino. As próprias fontes da agência israelense confirmaram à apuração que os dados costumavam ser usados para espionar palestinos e facilitar a preparação de ataques aéreos em Gaza e na Cisjordânia ocupada.

Pressionada por seus próprios funcionários pró-Palestina e manifestações semanais na área externa da sede em Redmond, na capital Washington, em setembro, a Microsoft suspendeu o acesso dos militares israelenses ao dispositivo de armazenamento. Brad Smith, presidente da empresa, reconheceu em um memorando que operações de vigilância em massa de palestinos violaram as proteções de privacidade. No entanto, a gigante norte-americana não parou de fornecer suporte de cibersegurança a Israel.

“[A decisão] não impacta o importante trabalho que a Microsoft continua fazendo para proteger a cibersegurança de Israel e de outros países do Oriente Médio”, disse Smith.

Grupos de defesa que foram criados pelos funcionários, como No Azure for Apartheid, continuam pressionando pelo rompimento de todos os contratos de inteligência artificial e nuvem com Israel. Exigem também proteção para a liberdade de expressão pró-Palestina dentro da empresa, além de maior apoio a funcionários árabes e muçulmanos, uma vez que muitos trabalhadores foram demitidos devido aos seus posicionamentos.