Milhares vão às ruas em Tel Aviv contra aumento de violência à comunidade árabe
Protesto massivo, que incluiu judeus e árabes, denunciou negligência do Estado e da polícia israelenses na prevenção de crimes como extorsão e assassinato
Milhares de manifestantes marcharam pelo centro de Tel Aviv na noite de sábado (31/01) exigindo uma ação urgente contra o aumento de crimes violentos e extorsão que tem como alvo a comunidade árabe nos territórios palestinos ocupados. Os protestos denunciaram a negligência do Estado de Israel e das forças de segurança.
Segundo fontes locais, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas da capital israelense no ato convocado pelo Comitê Superior de Monitoramento Árabe de Israel em cooperação com grupos da sociedade civil árabe-judaica, sob o slogan “A Marcha das Bandeiras Negras contra o crime, a violência e a extorsão”. O presidente do partido Ra’am, Mansour Abbas, confirmou à emissora israelense Keshet 12 que “dezenas de milhares” estiveram presentes na manifestação, destacada pela presença de judeus e árabes.
Nas imagens que circulam em redes sociais, é possível ver manifestantes erguendo bandeiras e faixas pretas, cartazes e fotos de vítimas mortas em violência. De acordo com a agência de notícias Pressenza, manifestantes repetiam frases como “Chega de violência e assassinato” e “Chega de silêncio” enquanto pressionavam por mudanças de políticas, policiamento mais forte e investimento na prevenção do crime.
No comício, palestrantes, prefeitos, familiares de vítimas e líderes comunitários exigiram do governo israelense medidas práticas e eficazes para conter tiroteios, extorsão e assassinatos. Os participantes criticaram principalmente a segurança nacional por não conseguir conter o fluxo ilegal de armas e o crime organizado em Israel, além de negligenciar sistemicamente cidades e vilarejos árabes.
Segundo o portal israelense Zoha, o prefeito de Sakhnin, Mazen Gnaim, também presidente do Comitê de Chefes de Autoridades Árabes, iniciou seu discurso criticando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em seguida, Khatam Abu Fana, cujo filho Firas foi assassinado no ano passado, exigiu proteção para impedir que outras mães passem pela mesma situação.
“Não estou aqui para chorar, mas para gritar. Quero proteção para as mães que ainda não sentiram essa dor”, disse, pedindo que o sangue de seu filho fosse um “grito que impeça a repetição do crime, e não apenas uma memória esquecida”.

Protesto massivo em Tel Aviv denuncia aumento de violência e assassinatos contra a comunidade árabe
X/Noga Tarnopolsky נגה טרנופולסקי نوغا ترنوبولسكي
O recente evento em Tel Aviv ocorreu após uma série de protestos e uma greve geral no início da semana em locais árabes como Sakhnin, onde multidões protestaram contra a violência desenfreada, fecharam comércios e escolas em um sinal de revolta coletiva.
Entre os milhares de participantes, estavam árabes israelenses e descendentes de palestinos que permaneceram nas cidades que hoje são território israelense, após a guerra árabe-israelense de 1948. As cidades onde mais se concentram residentes palestinos são Rahat e Nazaré, e no total constituem 20% da população. De acordo com o portal Zoha, estiveram presentes todos os parlamentares da coalizão Hadash-Ta’al, bem como milhares de membros e apoiadores do Partido Comunista (Maki) e do Hadash.
Conforme a organização Abraham Initiatives, apenas em janeiro deste ano, 27 cidadãos árabes foram mortos em situações ligadas à violência. Destes, 24 foram assassinados a tiros e 13 vítimas tinham 30 anos, ou menos. Enquanto em 2025, 252 árabes israelenses foram mortos.
O portal Zoha relatou que após o evento, grupo conservadores e “alguns usando máscaras de Benjamin Netanyahu” atacaram os manifestantes e passaram a compará-los ao grupo palestino Hamas. De acordo com o veículo, entre os extremistas, estava “Roei Star, recentemente flagrado usando spray de pimenta contra manifestantes”.
(*) Com Telesur























