Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Um grupo de 41 oficiais e reservistas da inteligência militar de Israel anunciou publicamente, na noite de terça-feira (10/06), que se recusa a continuar servindo em operações na Faixa de Gaza, alegando que o governo israelense realiza uma “guerra desnecessária e eterna” por interesses políticos.

Em uma carta endereçada ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ministro da Defesa Israel Katz e ao chefe do Estado-Maior, os signatários denunciaram que as ordens dadas são “claramente ilegais” e que a vida dos reféns foi deliberadamente comprometida.

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Os militares apontam o governo de Israel de priorizar a manutenção do poder e de ceder à pressão de setores “antidemocráticos e messiânicos”. O texto diz ainda que a ofensiva militar tem causado mortes evitáveis, tanto entre civis palestinos quanto entre soldados israelenses, além de acusar a gestão Netanyahu de abandonar os reféns mantidos pelo Hamas desde os ataques de 7 de outubro de 2023.

Os signatários, membros da Diretoria de Inteligência das Forças de Defesa de Israel (IDF), incluindo possíveis agentes da Unidade 8200 — especializada em vigilância eletrônica —, afirmam que “muitos reféns já foram mortos pelos próprios bombardeios israelenses”, e que o colapso do acordo de cessar-fogo em março foi uma decisão consciente do governo, que resultou em uma “sentença de morte” para os sequestrados.

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A carta foi organizada pelo grupo Soldados pelos Reféns, que tem se destacado no crescente movimento de dissidência dentro das Forças Armadas israelenses contra a continuidade da guerra em Gaza. Em abril, cerca de 250 reservistas e veteranos da Unidade 8200 também pediram o fim do conflito, embora sem declarar objeção pública ao serviço.

“Todas essas mortes são desnecessárias”, afirmou um dos oficiais ao jornal britânico Guardian. “Os reféns sofrem e morrem. Soldados são enviados em vão. E toda essa matança em Gaza é completamente desnecessária”.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 55 mil palestinos foram mortos e cerca de 125 mil ficaram feridos desde o início da ofensiva israelense. Ainda há pelo menos 56 reféns em poder do Hamas, dos quais se acredita que 20 estejam vivos.

A nova carta pede que cidadãos israelenses “façam tudo o que estiver ao seu alcance” para pôr fim à guerra. Parte dos signatários promete recusar o serviço publicamente, enquanto outros o farão de maneira não declarada. Um dos oficiais afirmou não poder mais participar de uma guerra em que “os militares não pensam duas vezes antes de ferir civis”. Para ele, os ataques se tornaram “imorais” e a ofensiva parece ter como objetivo eliminar a população de Gaza “a qualquer custo”.

As Forças de Defesa de Israel ainda não comentaram oficialmente o conteúdo da carta.