Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
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O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta para destravar a aquisição de obuseiros 155 mm da Elbit Systems, uma empresa israelense. A informação é da Folha de S. Paulo.

O contrato, orçado em quase R$ 1 bilhão, enfrenta oposição de setores que consideram inadequado adquirir armamento do país responsável pelo genocídio na Faixa de Gaza. Os opositores alegam que a transação poderia, de certa forma, financiar os ataques israelenses contra os palestinos.

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“A gente está brigando com uma coisa simples, boba. Não estamos fazendo uma compra gigantesca de Israel. Precisava provar que foi o dinheiro dos obuseiros que financiou aquela guerra. Dois obuseiros não movimentam absolutamente nada”, declarou o ministro

A ideia do responsável pela Defesa brasileira envolve a compra inicial de dois equipamentos como teste, com uma cláusula que permitiria, em caso de aprovação, a compra dos 34 restantes.

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Outra condição seria a produção dos obuseiros em território nacional, com a expectativa de gerar empregos e beneficiar empresas locais.

Palácio do Planalto/Flickr
Múcio afirma que revogar acordos do Brasil com Israel por genocídio em Gaza é ‘simples e bobo’

Membros do governo Lula se opõem à compra dos veículos militares, como o assessor especial da Presidência, Celso Amorim. Para Múcio, este posicionamento está mais relacionado a questões políticas e ideológicas do que a critérios técnicos.

“Com todo respeito às pessoas que estão contra são por motivos políticos, ideológicos. Eu estou defendendo o Exército e que a gente tenha oportunidade de dotar o Exército Brasileiro de equipamentos mais modernos”, afirmou o ministro em entrevista à Folha de S. Paulo.

Para Múcio, a relação diplomática com Israel não deveria ser vista como um obstáculo intransponível para as questões do exército brasileiro. “Eu não acho que isso seja um problema diplomático — a diplomacia está lá, nós ainda temos relações diplomáticas com Israel. Se o primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu foi desatencioso [ao declarar Lula como persona non grata], ele não representa todo mundo de lá. Eu estou admitindo que eu estou com a banda boa [de Israel]”, argumentou o ministro.

O Exército Brasileiro, desde 2017, busca substituir 36 obuseiros, remanescentes da Segunda Guerra Mundial. Em abril passado, a israelense Elbit Systems, que é uma das principais fornecedoras de equipamento militar para as Forças de Defesa de Israel (FDI, como é chamado o exército do país), venceu a concorrência por oferecer o melhor preço e soluções técnicas superiores, além de já possuir subsidiárias no Brasil.

Contudo, a assinatura do contrato foi adiada em maio deste ano por decisão de Lula, sem previsão de conclusão, em meio ao agravamento das operações militares israelenses na Faixa de Gaza e a pressão para que o governo Lula revogue as cooperações com Tel Aviv.

Enquanto isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) deve analisar nos próximos dias se a legislação brasileira impede que empresas de países em conflito participem de licitações. A decisão pode ser crucial para destravar o processo e reduzir as resistências internas no governo.

(*) Com Brasil247

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