Ministro de Israel diz que próximo governo deverá ‘incentivar a migração’ de palestinos
Bezalel Smotrich prometeu anular 'os malditos Acordos de Oslo' para anexar Cisjordânia e Gaza, durante evento organizado pelo partido de extrema direita Sionismo Religioso
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, declarou na terça-feira (17/02) que, no próximo mandato, seus objetivos dentro do governo continuariam se voltando à política do “incentivo à migração” de palestinos da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza. A fala se deu no contexto da condenação internacional contra uma série de medidas aprovadas pelo gabinete de segurança do regime sionista na semana passada com o intuito de assumir a Cisjordânia, incluindo as áreas geridas pela Autoridade Palestina sob os Acordos de Oslo.
“Por fim, anularemos os malditos Acordos de Oslo em termos formais e práticos, e embarcaremos em um caminho rumo à soberania, enquanto incentivaremos a emigração tanto de Gaza quanto da Judeia e Samaria. Não há outra solução de longo prazo”, disse Smotrich, no âmbito de um evento organizado pelo seu partido de extrema direita, Sionismo Religioso, sob presença de líderes locais responsáveis pela política de assentamentos.
Semelhante à anexação, a ideia tem sido repetidamente defendida pelos ultraconservadores israelenses após o 7 de outubro de 2023 e rejeitada por críticos que associam a medida à limpeza étnica. Aprovada na semana anterior, agora, é permitido que a nação registre amplas extensões de terra na Cisjordânia e as reivindique como “propriedade de Estado” para desenvolvimento israelense.
Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) continuaram realizando uma série de incursões militares na Cisjordânia. Segundo a emissora catari Al Jazeera, na vila de al-Auja, local onde 600 beduínos palestinos estavam residindo, “quase todos desmontaram suas barracas, arrumaram seus pertences e se dispersaram em busca de abrigo após ataques de colonos”. Conforme a agência Wafa, houve confronto, registro de cidadãos feridos e as IDF não se pronunciaram sobre o incidente.
Condenação internacional
Na terça-feira, uma coalizão de 85 países-membros das Nações Unidas (ONU) publicou um comunicado conjunto condenando o plano de expansão de Israel. No documento, constam, inclusive, aliados do regime sionista, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Chipre, Grécia e Alemanha.
“Condenamos fortemente decisões e medidas unilaterais israelenses destinadas a expandir a presença ilegal de Israel na Cisjordânia”, disse o embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, em nome da coalizão e de várias organizações internacionais. “Tais decisões são contrárias às obrigações de Israel sob o direito internacional e devem ser imediatamente revertidas. Ressaltamos, a esse respeito, nossa forte oposição a qualquer forma de anexação”.
A statement on behalf of 85 States and a number of international organizations condemning Israel’s unilateral measures and policies in the occupied West Bank and rejecting annexation👇🏼 pic.twitter.com/BhEo22f6bZ
— State of Palestine (@Palestine_UN) February 17, 2026
Os Estados-membros da ONU reiteraram a rejeição de todas as medidas destinadas a alterar “a composição demográfica, o caráter e o status do território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental”, uma vez que elas violam a ordem global e minam os esforços contínuos pela paz e estabilidade regional sob o acordo de cessar-fogo implementado em outubro passado.
Os signatários da declaração conjunta incluem Austrália, Canadá, China, França, Paquistão, Rússia, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, União Europeia, Liga dos Estados Árabes e a Organização de Cooperação Islâmica.
























