O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ameaçou com uma “guerra em grande escala” contra a Autoridade Palestina (AP) após um colono ter sido esfaqueado na Cisjordânia ocupada.
A Rádio do Exército Israelense informou nesta segunda-feira (07/09) que as Forças Armadas mataram um palestino suspeito após o ataque, no qual o colono de 19 anos ficou gravemente ferido. O atentado ocorreu em um assentamento ilegal perto de Usarin, em Nablus.
“Se… os mecanismos de segurança da Autoridade Palestina e órgãos relacionados iniciarem, ou se tivermos certeza de que estão prestes a iniciar, um ataque terrorista nos moldes do de 7 de outubro contra as forças [israelenses] e os assentamentos judaicos — o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu instruímos as [Forças Armadas] a se prepararem para o início de uma guerra em grande escala”, disse Katz, segundo o Times Of Israel.
A emissora catariana Al Jazeera disse que diversas aldeias palestinas foram colocadas em confinamento após o incidente.
Tal campanha também garantiria “a permanência das Forças de Defesa de Israel no território desocupado — assim como fizemos nas zonas de segurança em Gaza e no Líbano, e também nos campos de refugiados em Jenin e no norte da Samaria”, afirmou.

Netanyahu também elogiou os soldados que caçaram o agressor, dizendo que “nenhum terrorista tem refúgio seguro”, e prometeu “continuar a eliminar os terroristas, perseguir quem os envia e destruir a infraestrutura terrorista na Judeia e Samaria”, usando terminologia bíblica para a Cisjordânia, e acrescentou que “qualquer um que tente ameaçar Israel pagará um preço alto”.
Apesar do cessar-fogo, os ataques israelenses continuam: o Ministério da Saúde de Gaza informou que cinco palestinos foram mortos e 30 feridos nas últimas 24 horas, além de dois mortos por ferimentos anteriores.
O Ministério da Educação palestino condenou os ataques e afirmou que, enquanto crianças em todo o mundo se preparam para um novo ano letivo, em Gaza, crianças são submetidas a “assassinatos e aniquilação”.
Desde outubro, o cessar-fogo registra 1.352 mortos e 4.511 feridos, enquanto o total desde o início da guerra genocida em outubro de 2023 chega a 73.658 mortos e 174.622 feridos, segundo o Ministério da Saúde.
Netanyahu ordenou o desmantelamento de assentamentos não autorizados na Cisjordânia, em resposta à pressão dos EUA para conter a violência de colonos, segundo fontes à Reuters.
Não há data para o início das operações, mas o anúncio ocorre um dia após o embaixador Mike Huckabee se reunir com palestino-americanos em Turmus Ayya — alvo frequente de colonos —, e, embora defenda assentamentos, ele condenou repetidamente a violência dos colonos.
As Nações Unidas e a maioria dos países consideram todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ilegais sob o direito internacional e veem a área como “território ocupado”.
A violência de colonos aumentou drasticamente na Cisjordânia, e palestinos e organizações de direitos humanos acusam Israel de não investigar ataques nem levar responsáveis à justiça.