Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Uma semana e meia antes de 7 de outubro de 2023, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed Bin Zayed, ligou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para alertar que o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, estava planejando uma ofensiva contra Israel. A investigação, publicada pelo Haaretz, foi realizada para o livro Reféns: 843 Dias de Abandono (Editora Kinneret Zmora, em hebraico).

Na conversa, segundo o jornal, bin Zayed expressou preocupação ao premiê de que o evento “não apenas levaria a derramamento de sangue, mas também desestabilizaria a região e prejudicaria os Acordos de Abraão“, e pediu que Netanyahu levasse a situação a sério, mas o líder israelense reagiu com “relativa calma”.

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O governante dos Emirados relataria mais tarde a conversa com Netanyahu e o aviso transmitido ao diretor da CIA, William Burns, e um assessor afirmou que “o emir esperava que, apesar da resposta reservada, Netanyahu levasse a mensagem a sério”.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, o primeiro-ministro não repassou o aviso aos chefes do setor de defesa (Shin Bet, o chefe do Mossad ou o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel).

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Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu
Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu

Ao ver que Israel não respondia ao aviso, o governante dos Emirados decidiu conversar pessoalmente com Netanyahu em uma reunião de 45 minutos no final de setembro, na qual transmitiu um aviso explícito sobre as intenções de Sinwar. Ao longo do encontro, o primeiro-ministro não mencionou outros alertas recebidos, e um alto funcionário do Shin Bet afirmou que “se tivéssemos ciência, isso poderia ter mudado completamente nossa avaliação”.

Netanyahu também recebeu uma ligação do chefe da inteligência egípcia, general Abbas Kamel, que o alertou sobre “algo incomum, uma operação terrível” que o Hamas estava prestes a lançar. A jornalista Smadar Perry, que publicou os detalhes da conversa no jornal Yedioth Ahronoth, relata que Netanyahu também disse a Kamel: “em Gaza, estamos no controle, temos a situação. Nosso problema é com a Cisjordânia, e é para lá que também estamos deslocando forças.”

Em 1º de outubro, durante uma discussão sobre os distúrbios na fronteira de Gaza e a identificação das intenções do Hamas de realizar um ataque, o chefe do Shin Bet recomendou novamente que se atacassem altos funcionários do grupo, incluindo Sinwar, que “estava demonstrando sinais de arrogância”.

Um alto funcionário da defesa afirmou que Netanyahu “nunca disse não”, e que essa era sua maneira de adiar problemas, enquanto outro funcionário presente lembrou que o premiê resumiu o encontro dizendo: “Continuem trabalhando na capacidade, mas, por ora, acalmem a situação”.

O antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot reagiu acusando o primeiro-ministro de ter conduzido Israel “às cegas” em direção ao desastre do dia 7 de outubro.

Sobre a investigação, o escritório do primeiro-ministro israelense rejeitou categoricamente a informação e nega até mesmo que a conversa tenha ocorrido. “Uma mentira absoluta! O primeiro-ministro Netanyahu não falou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos durante o período mencionado e não recebeu nenhuma advertência dele”, respondeu.

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