Netanyahu recusa deixar cargo em troca de perdão presidencial
Premiê israelense é julgado por acusações de suborno, fraude e quebra de confiança; enquanto isso, político se reuniu com Tony Blair para discutir plano de governança de Gaza
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou que se aposentará da vida política em troca de indulto em seus casos criminais. Há cinco anos, o político é julgado em três casos distintos de corrupção, incluindo acusações de suborno, fraude e quebra de confiança. A posição foi dada durante uma coletiva neste domingo (08/12).
“Eles estão muito interessados, muito preocupados com o meu futuro, assim como os eleitores. E eles decidirão”, disse o premiê, ao ser questionado por um jornalista sobre a possibilidade da condição.
Na semana passada, Netanyahu apresentou formalmente um pedido de perdão em seu julgamento por corrupção ao presidente de Israel, Isaac Herzog, este que garantiu que colocará “o bem do Estado de Israel em primeiro lugar”. No pedido, o acusado escreveu que “carrega ampla responsabilidade pública e moral, plenamente ciente das implicações de todos os eventos”, referindo-se aos anos de discussão pública em torno de seu julgamento.
“Apesar do meu interesse pessoal em levar o julgamento até o fim e provar minha inocência completamente, acredito que o interesse público dita o contrário”, acrescentou.
De acordo com o jornal israelense Haaretz, diversas figuras oposicionistas entendem que qualquer perdão apenas seria viável em troca de sua saída na política. Sobre o recente pedido de perdão, o líder da oposição, Yair Lapid, enfatizou que o presidente não pode aceitá-lo sem “uma admissão de culpa”, defendendo a renúncia imediata de Netanyahu. O mesmo posicionamento foi endossado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, que deve liderar uma sigla que, segundo o Haaretz, poderá assumir um número considerável de cadeiras nas próximas eleições do Knesset,
“Para tirar Israel do caos, apoiarei um acordo vinculante que incluirá uma retirada digna da vida política junto com o fim do julgamento”, disse.
Yair Golan, líder do partido Democratas, disse em resposta ao pedido de Netanyahu que “o único acordo possível é Netanyahu assumir a responsabilidade, admitir a culpa, deixar a política e libertar o povo e o Estado”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou que se aposentaria da vida política em troca de indulto em seus casos criminais
Fotos Públicas/Kobi Gideon
Plano ‘pós-guerra’
De acordo com a informação concedida no sábado (06/12) pela emissora israelense KAN, Netanyahu teria realizado uma reunião clandestina com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair para discutir o plano de Donald Trump para a governança da Faixa de Gaza em um cenário “pós-guerra”.
O veículo informou que a reunião teria acontecido na semana passada. O projeto em questão prevê um “Conselho da Paz” presidido pelo presidente norte-americano, uma autoridade transitória que assumiria o comando da gestão do enclave por um período inicial de dois anos, com a opção de renovar seu mandato.
O plano também previa o envio de uma “força internacional de estabilização” responsável pela garantia da “desmilitarização” em Gaza. Segundo o documento, Trump propôs Blair como a principal figura dentro desse conselho.
Segundo a KAN, a sugestão de Blair de articular um “esquema piloto” que envolva o controle inicial pela Autoridade Palestina em determinadas localidades da região palestina não foi descartada de imediato. Enquanto isso, é esperado que um anúncio formal sobre a criação do órgão administrativo internacional ocorra até o final de 2025, após uma reunião entre Trump e Netanyahu.
Por outro lado, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina já condenaram anteriormente tentativas de Washington e seus aliados de impor uma “tutela internacional” sobre os palestinos.
“Não podemos permitir que a Faixa de Gaza volte à velha ideia colonial de ter um alto comissário para governar”, disse o membro sênior do Hamas, Mohammad Nazzal. “O povo palestino tem as habilidades e capacidades para prescindir de enviados de alto nível. Além disso, rejeitamos a ideia de uma tutela internacional sobre a Faixa de Gaza e o povo palestino. Os palestinos devem se governar a si mesmos”.
























