Netanyahu viaja aos EUA para se encontrar com Trump
Líderes devem discutir sobre segunda fase do cessar-fogo em Gaza, enquanto escândalo de pagamentos do Catar e lei de serviço militar obrigatório geram descontentamento massivo em Israel
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará aos Estados Unidos neste domingo (28/12) para se encontrar com o presidente Donald Trump na segunda-feira (29/12), confirmou um porta-voz do governo à imprensa. Este será o quinto encontro entre os dois líderes em solo americano desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2015.
Embora não haja uma agenda oficial, fontes diplomáticas presumem que a reunião se concentrará na segunda fase do cessar-fogo em Gaza, no papel dos Estados Unidos no processo e nas preocupações de Israel em relação ao Irã e ao Hezbollah, ignorando as violações sistemáticas do acordo por Tel Aviv. O encontro ocorrerá na residência presidencial de Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida.
Segundo fontes citadas pela imprensa israelense, Trump pressionaria Netanyahu para avançar em compromissos concretos relacionados ao plano de paz acordado em outubro, que previa a cessação dos bombardeios em Gaza e a retirada militar israelense em direção à chamada “linha amarela”, embora as incursões militares no território e o assassinato de civis perto da fronteira imposta continuem sendo recorrentes.
A segunda fase do plano, prevista para meados de janeiro, inclui o desarmamento do Hamas, o destacamento de uma Força Internacional de Estabilização (FIE), a retirada completa de Israel do enclave e o estabelecimento de um governo de transição com a participação de atores regionais.

Reunião entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e Donald Trump promete definir segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza
Official White House Photo / Joyce N. Boghosian
Os EUA, o Egito, o Catar e a Turquia estão realizando negociações paralelas para apoiar essa estrutura. No entanto, a realidade atual do conflito está muito distante dos resultados projetados, principalmente devido às violações do cessar-fogo que já causaram mais de 400 mortes no enclave desde a sua implementação.
A viagem do premiê ocorre em meio a crescentes pressões internas. O descontentamento aumenta em relação ao chamado caso “Catargate”, que investiga supostos pagamentos de Doha a assessores próximos a Netanyahu durante a ofensiva em Gaza, e em relação à crise em curso em torno do projeto de lei que impõe o serviço militar obrigatório aos ultraortodoxos, o que desencadeou novos protestos em massa.
Netanyahu não está viajando com a imprensa, e fontes próximas ao meio diplomático admitem que este encontro pode marcar uma virada na relação pessoal e política entre os dois líderes, embora setores do círculo presidencial americano já estejam expressando cansaço com o líder israelense.
O resultado da reunião será crucial para avaliar se a segunda fase do acordo avança, estagna ou permanece sujeita a renegociação , em meio a pressões geopolíticas e uma opinião pública israelense cada vez mais fragmentada.
(*) com teleSUR























