ONU e ONGs denunciam que ajuda humanitária a Gaza permitida por Israel é ‘totalmente insuficiente’
Segundo entidades, território palestino recebe entre 140 e 150 caminhões diários com água e mantimentos, mas acordo de cessar-fogo previa 600 por dia
O Programa Mundial de Alimentos (WFP, por sua sigla em inglês), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), acusou Israel de continuar restringindo a quantidade de água e alimentos que ingressam diariamente à Faixa de Gaza.
A denúncia afirma, ademais, que a os mantimentos permitidos por Tel Aviv desde o início de cessar-fogo são “totalmente insuficientes” para frear a situação de fome vivida pelos palestinos residentes no território.
De acordo com o comunicado publicado pela WFP nesta terça-feira (04/11), o acordo de cessar-fogo assinado em outubro passado entre Israel e Hamas previa, em um dos seus pontos principais, que o governo do premiê sionista Benjamin Netanyahu se comprometia a permitir a entrada de 600 caminhões diários com água, alimentos, medicamentos e produtos de necessidade básica.
A entidade alega, no entanto, que na prática são registrados menos da metade disso por dia: entre 140 e 150 caminhões, segundo relatos dos voluntários que atuam na região.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, por sua sigla em inglês), outra entidade ligada à ONU, afirma que mesmo com o maior fluxo de caminhões com suprimentos desde o cessar-fogo, ainda há um quadro severo de desnutrição, que afeta principalmente as crianças.
Segundo o OCHA, todas as crianças refugiadas em Gaza sofrem com algum grau de desnutrição e cerca de 10% delas enfrentam desnutrição aguda, com risco de morte.

Outras entidades que trabalham em favor dos palestinos sobreviventes do genocídio cometido por Israel em Gaza corroboram as informações denunciadas pela WFP e afirmam que tal situação
Em entrevista ao canal catari Al Jazeera, a ativista Shaina Low, porta-voz do Conselho Norueguês para Refugiados, “a fome ainda está presente em todo o território da Faixa de Gaza”.
“Há centenas de milhares de pessoas enfrentando condições de vida que são inimagináveis e a quantidade de produtos que Israel permite ingressar ao território é totalmente insuficiente”, explica Low.
A ativista também alega que “essa situação não só impede reverter a fome e a sede das pessoas como ainda agrava o problema”
Em resposta às acusações, o governo de Israel afirmou em um comunicado que está cumprindo suas obrigações de acordo com o estabelecido no cessar-fogo com o Hamas.
Ademais, Tel Aviv alega que a culpa da fome dos palestinos seria do Hamas, “cujos militantes roubam os alimentos antes que eles possam ser distribuídos”.
Com informações de Al Jazeera.