Países europeus se retiram do Eurovision 2026 em reação à presença de Israel
Espanha classifica concurso como 'dominado por interesses geopolíticos e fragmentados', Irlanda considera a participação de Tel Aviv 'inaceitável'; Holanda e Eslovênia se recusam a transmitir a competição
A União Europeia de Radiodifusão (UER) confirmou na quinta-feira (04/12) a participação de Israel no Festival Eurovision da Canção de 2026, após aprovar um pacote de reformas em sua assembleia geral; no entanto, após essa decisão, Espanha, Irlanda, Holanda e outros países anunciaram sua desistência do concurso.
Essa ratificação automática de Israel foi a linha vermelha cruzada pela UER para as emissoras públicas de quatro países, já que Espanha, Irlanda, Holanda e Eslovênia haviam anunciado anteriormente que deixariam o festival caso a participação israelense fosse permitida, devido ao genocídio da Palestina por Israel.
O presidente da rede de televisão RTVE, José Pablo López, afirmou que o ocorrido “confirma que o Eurovision não é um concurso de música, mas um festival dominado por interesses geopolíticos e fragmentados”.
A RTÉ (Irlanda), por sua vez, considerou a sua participação “inaceitável”, “dada a terrível perda de vidas em Gaza e a crise humanitária“.
Entretanto, a AVROTROS, nos Países Baixos, declarou que a presença contínua de Israel, apesar das acusações de interferência política, restrições à liberdade de imprensa e “sofrimento humanitário” em Gaza, ultrapassa “os limites” que está disposta a aceitar como um serviço público.
Lo sucedido en la Asamblea de UER confirma que Eurovisión no es un concurso de canciones sino un festival dominado por intereses geopolíticos y fracturado.
RTVE se retira de Eurovisión.
Aquí nuestra posición👇https://t.co/DRA8l1SV6O a través de @rtve
— José Pablo López (@Josepablo_ls) December 4, 2025
A emissora eslovena RTV Slovenija lembrou que os problemas políticos no Festival Eurovision da Canção não são novidade, citando a exclusão de artistas russos após a invasão da Ucrânia e alertando que em 2017 “abrimos a caixa de Pandora” ao permitir que uma “canção política” vencesse.
A assembleia, realizada em Genebra com a participação de delegados de 68 emissoras públicas de 56 países, aprovou por ampla maioria (738 votos a favor, 264 contra e 120 abstenções) uma série de alterações no regulamento. Essas reformas incluem a redução do peso do televoto (de 50% para 33%), a reintegração de júris profissionais nas semifinais e a implementação de melhorias técnicas para reforçar a segurança contra fraudes.
As emissoras de televisão dos quatro países que desistiram confirmaram que não transmitirão nem as semifinais nem a grande final do concurso, que acontecerá em Viena no dia 16 de maio de 2026, o que terá impacto nos eventos televisivos mais assistidos do mundo.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, comemorou “a decisão da União Europeia de Radiodifusão. Tenho vergonha dos países que decidiram boicotar um concurso musical como o Eurovision por causa da participação de Israel”, enquanto o presidente israelense, Isaac Herzog, elogiou a decisão em um comunicado e expressou sua gratidão aos países que defenderam a participação de Israel no concurso musical.
Israel matou mais de 70.112 civis na Faixa de Gaza e feriu mais de 170.986 pessoas desde 7 de outubro de 2023, embora nem todos os corpos que ainda permanecem sob os escombros tenham sido identificados.
























