Palestinos celebram 50 anos do Dia da Terra em meio à escalada de violência
Apropriação de território palestino é classificado por direitos humanos como 'anexação de fato'; data relembra protestos de 1976 contra confisco de propriedades
Em 30 de março, os palestinos celebram o Dia da Terra, ou Yom al-Ard, relembrando os eventos de 50 anos atrás. Em 30 de março de 1976, seis palestinos desarmados foram mortos por forças israelenses e mais de 100 ficaram feridos durante protestos contra a confiscação ilegal de terras palestinas por Israel.
Tel Aviv ordenou a confiscação de 2.000 hectares de terras pertencentes a cidadãos palestinos de Israel na Galileia. No entanto, o epicentro dos protestos de 1976 foi nas cidades palestinas de Sakhnin, Arrabeh e Deir Hanna. O terreno confiscado tem aproximadamente o tamanho de 3.000 campos de futebol.
Esses planos faziam parte da política estatal israelense de judaizar a Galileia após a criação do Estado de Israel – algo que persiste atualmente.
Os palestinos — tanto em Israel quanto nos territórios palestinos ocupados, incluindo a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental — celebram este dia com protestos, vigílias e plantio de oliveiras para reafirmar sua ligação com a terra. Os protestos são frequentemente recebidos com brutalidade policial por parte de Israel.
Na cidade de São Paulo, o ato pelo Dia da Terra Palestina ocorreu neste domingo (29/03), organizado pela Frente Palestina São Paulo.
“Nos dias de hoje, a ofensiva imperialista-sionista, ilegal e ilegítima no Irã já assassinou mais de 1.300 pessoas e deslocou quase 1 milhão no Líbano”, explica o texto convocatório divulgado nas redes sociais. Acrescenta: “Enquanto isso, Israel segue atacando Gaza e bloqueando a entrada de ajuda humanitária. Na Cisjordânia, colonos e soldados têm atacado vilas palestinas diariamente, ameaçando, agredindo e, em alguns casos, assassinando moradores”.

Comício do Dia da Terra
Makbula Nassar / Wikimedia Commons
Apropriação de terras palestinas persiste
Em 8 de fevereiro de 2026, o gabinete de segurança de Israel aprovou uma série de medidas abrangentes para expandir seus poderes na Cisjordânia ocupada, incluindo a facilitação da venda de terras palestinas a colonos israelenses e a ampliação dos poderes das autoridades israelenses em áreas sob controle palestino.
Organizações de direitos humanos e diversos países condenaram a apropriação de terras por Israel, classificando-a como “anexação de facto” e um “ataque deliberado e direto” à viabilidade de um Estado palestino.
Segundo o Peace Now, um grupo israelense contrário aos assentamentos, Israel aprovou 12.349 unidades habitacionais em 2023, 9.884 em 2024 e um número recorde de 27.941 em 2025.
Em dezembro, o gabinete de segurança de Israel aprovou planos para formalizar 19 assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada. Os assentamentos israelenses são comunidades judaicas construídas ilegalmente em terras palestinas. Muitos dos assentamentos recém-aprovados estarão em áreas palestinas densamente povoadas, limitando ainda mais a circulação dos palestinos e ameaçando a viabilidade de um futuro Estado palestino.
O número de ataques de colonos aumentou drasticamente nos últimos anos, com 852 casos registrados em 2022, 1.291 em 2023, 1.449 em 2024 e 1.828 em 2025 – uma média de cinco ataques por dia. Pelo menos 1.094 palestinos foram mortos por tropas e colonos israelenses na Cisjordânia desde outubro de 2023, de acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas.























