Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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Matéria atualizada às 17h50

As ministras Macaé Evaristo, de Direitos Humanos e da Cidadania, e Gleisi Hoffmann, Relações Institucionais, receberam na tarde desta quarta-feira (28/01) representantes de entidades ligadas à comunidade judaica no Palácio do Planalto. No evento, estiveram também presentes outras figuras do governo brasileiro, como a ministra Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura.

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A reunião com o tema “enfrentamento do antissemitismo no Brasil” convidou organizações como o Instituto Brasil-Israel (IBI), o Museu Judaico de São Paulo, o Museu do Holocausto de Curitiba, a Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e a Casa do Povo. O coletivo Vozes Judaicas por Libertação (VJL) foi a única entidade antissionista a participar do encontro.

“Embora o tema formal do encontro seja o enfrentamento ao antissemitismo no Brasil, nossa avaliação é que parte dos setores que impulsionaram essa agenda tem centrado o debate na equiparação entre críticas ao Estado de Israel e antissemitismo”, disse Daniela Fajer, membro do VJL, a Opera Mundi antes do início da reunião.

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À reportagem, Fajer apontou para uma pesquisa encomendada ao Grupo Ispo pela CONIB, pelo Memorial do Holocausto de São Paulo, pelo Museu do Holocausto de Curitiba e pela organização StandWithUs, que inclusive foi mencionada em uma reportagem do portal UOL, publicada na terça-feira (27/01). O levantamento alega que apenas 53,2% dos brasileiros sabem definir corretamente o que foi o extermínio nazista.

“Entendemos que o foco do discurso deles será defender o que foi publicado nessa matéria, principalmente a crítica pelo [presidente brasileiro] Lula ter saído da IHRA”, disse Fajer.

Em julho de 2025, o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva retirou o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), alvo de controvérsias por sua definição de antissemitismo, que equipara críticas feitas a Israel à discriminação contra judeus. Esse conceito é considerado por alguns grupos como um instrumento usado para censurar posicionamentos críticos às políticas de ocupação israelense nos territórios palestinos. “Vamos defender que Lula acertou ao retirar o Brasil da IHRA”, acrescentou a porta-voz do VJL.

Em outubro de 2025, o coletivo Vozes Judaicas participou de uma audiência pública na Comissão de Legislação Participativa (CLP) na Câmara dos Deputados, durante a qual protocolou uma nota de contraposição à adoção da definição de antissemitismo da IHRA como referência normativa em qualquer esfera federativa, e ao Projeto de Lei nº 472/2025, que busca institucionalizá-la no ordenamento jurídico nacional.

“Essa definição tem sido utilizada em diversos países como instrumento de censura e intimidação, transformando críticas legítimas a Israel em discursos de ódio e confundindo antissionismo com antissemitismo”, diz o documento acessado pela reportagem.

Em outro trechoo, diz que “ao equiparar automaticamente crítica política a preconceito religioso, a IHRA blinda o Estado de Israel sob o pretexto de proteger os judeus, promovendo uma manipulação da memória do Holocausto e distorcendo o sentido da luta contra o verdadeiro antissemitismo – aquele que se manifesta no racismo, na supremacia branca e nas ideologias nazistas e fascistas”.

Entidades judaicas se reúnem no Palácio do Planalto para discutir enfrentamento do antissemitismo no Brasil
Pedro França/Agência Senado

Agenda ministerial a organizações judaicas em São Paulo

O encontro em Brasília desta quarta-feira ocorreu um dia após o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto. Na véspera, na segunda-feira (26/01), a ministra Evaristo viajou a São Paulo, por onde passou por quatro organizações da comunidade judaica no âmbito de uma agenda organizada pela Associação Beit Midrash Massoret em conjunto com a Casa do Povo.

Na ocasião, Opera Mundi questionou Evaristo se a pasta de Direitos Humanos já havia articulado, no decorrer dos mais de dois anos de genocídio em Gaza, algum programa semelhante à realizada em São Paulo e, também, se havia porventura pretensão em realizar um evento que prestigiasse o Dia da Nakba, em 15 de maio, que relembra a expulsão de palestinos de seu território em 1948.

A ministra afirmou ter tido “encontros” com a comunidade palestina, e que “não coaduna com os princípios dos direitos humanos colocar uma comunidade contra a outra”. No entanto, não confirmou o planejamento de agenda em memória ao Dia da Nakba, mas garantiu que a pasta não tem “nenhuma dificuldade” em abordar a questão palestina e está “atenta e atuando”.

Questionada também sobre as acusações de antissemitismo feitas por parte da comunidade judaica contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, contrário ao genocídio promovido por Israel contra os palestinos, Evaristo reiterou estar representando o compromisso do governo com a luta contra o discurso de ódio e o antissemitismo, que classificou como uma “estratégia racista de segregação, hierarquização de pessoas e desumanização”.