Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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A sede do programa das Nações Unidas para ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) foi alvo de uma operação da polícia nesta segunda-feira (08/12) no bairro de Sheikh-Jarrah, em Jerusalém Oriental. O episódio ocorre enquanto continuam os esforços e negociações para implementar em Gaza a segunda fase do plano de paz de Donald Trump.

“Eles entraram à força em nossos escritórios”, relatou o porta-voz da agência, Jonathan Fowler. Em entrevista à RFI, ele lembrou que os funcionários da ONU não estavam na sede no momento da invasão. “Não tínhamos colegas da UNRWA no local, havia apenas guardas. Mas isso não deixa de ser inaceitável porque é uma entrada forçada em instalações de uma agência das Nações Unidas”, completou.

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Israel aprovou no ano passado uma lei que proíbe a agência da ONU para refugiados palestinos de operar em seu território. O complexo da UNRWA em Jerusalém Oriental, parte da cidade anexada por Israel em 1967, não é mais ocupado por funcionários desde janeiro, após essa proibição.

As autoridades israelenses acusaram funcionários da agência de terem participado do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. A ONU anunciou em agosto de 2024 ter demitido nove de seus funcionários em Gaza, indicando que eles poderiam estar envolvidos. As Nações Unidas, no entanto, esclareceram que sua comissão de inquérito não conseguiu autenticar de forma independente as informações usadas por Israel para sustentar suas alegações.

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Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), também denunciou uma intervenção da polícia israelense no escritório da agência em Jerusalém Oriental. Segundo ele, as forças de segurança levaram “móveis, equipamentos de informática e outros bens”. Em uma declaração na rede social X, ele explicou que a polícia substituiu a bandeira da ONU por uma bandeira israelense. Persona non grata em Israel, Lazzarini não estava no local, mas várias testemunhas confirmaram a cena.

A sede do programa das Nações Unidas para ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) foi alvo de uma operação da polícia no bairro de Sheikh-Jarrah, em Jerusalém Oriental
Wikimedia Commons/Mohamed Hinnawi

Ação ‘política’

“A ação em questão é conduzida pela prefeitura de Jerusalém no âmbito de um processo de recuperação de dívida” referente ao não pagamento do imposto municipal, indicou a polícia israelense, acrescentando que estava presente apenas “para garantir a segurança da atividade da prefeitura”. A UNRWA afirma ser protegida pelo direito internacional e que não é obrigada a pagar os impostos solicitados. Segundo o diretor da agência na Cisjordânia, a ação é puramente “política”.

Criada em 1949, a UNRWA administra centros de saúde e escolas destinados aos refugiados palestinos nos Territórios Palestinos, no Líbano, na Síria e na Jordânia. A Assembleia Geral da ONU votou na sexta-feira, 5 de dezembro, a renovação por três anos do mandato da UNRWA, que atende cerca de 6 milhões de pessoas nesses territórios.