Projeto revela rede de executivos que financia lobby pró-Israel nos EUA
Perfil de cinquenta lobistas do AIPAC é revelado pelo Democracy in the Arab World Now (DAWN); influência é sustentada por doadores, incluindo financistas e operadores políticos
A organização de defesa Democracy in the Arab World Now (DAWN) lançou The Faces of AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos Israelo-Americano), um recurso online que traça o perfil das cinquenta pessoas que dirigem o poderoso grupo de lobby pró-Israel nos Estados Unidos.
Com o objetivo de promover transparência, a DAWN lançou o recurso para divulgar os líderes do AIPAC, que, mesmo tendo gasto mais de US$ 126 (R$ 698) milhões durante o ciclo eleitoral de 2023-2024 e de desempenhar um papel central na definição da política externa dos EUA, não publica um diretório público de seus líderes em seu site oficial.
A organização afirma que o AIPAC “não é uma abstração”, mas uma entidade administrada por indivíduos identificáveis, com responsabilidades legais e fiduciárias definidas.
O projeto Faces of AIPAC representa um exercício de transparência cívica, destinado a preencher o que considera uma lacuna de informação notável sobre uma das organizações de lobby mais influentes de Washington, que atua para influenciar a política externa dos EUA em favor do regime israelense.
O banco de dados identifica um órgão diretivo composto por 41 membros do conselho e uma equipe executiva de 9 diretores. Coletivamente, observa a DAWN, esses 50 indivíduos autorizam a direção estratégica, supervisionam os gastos políticos e gerenciam as extensas operações do notório grupo de lobby.
De acordo com a Lei de Corporações Sem Fins Lucrativos de Washington, DC, os membros do conselho e os diretores estão sujeitos a deveres fiduciários formais: cuidado, lealdade e obediência à organização.
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A DAWN argumenta que as ações do AIPAC, desde o apoio eleitoral até a defesa de políticas públicas, não são meras expressões políticas, mas atos de governança organizacional com implicações legais e éticas.
Quem são os líderes do AIPAC: DAWN revela as ‘faces’ por trás do lobby
Nos níveis mais altos da hierarquia do AIPAC, os perfis do DAWN se concentram em figuras cujo papel determina a direção estratégica da organização.
Bernie Kaminetsky atua como presidente e membro do conselho da AIPAC, trazendo sua experiência como médico e empreendedor no setor de saúde para funções que incluem liderar delegações de doadores em viagens a Israel.
Betsy Berns Korn preside o conselho e é ex-presidente do AIPAC. Durante sua gestão, a organização lançou seu comitê de ação política (PAC) e seu super PAC afiliados. Ela também preside a Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas, um órgão coordenador para diversos grupos de lobby.
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O diretor executivo do AIPAC é Elliot Brandt, um veterano com mais de três décadas de experiência na organização. Sua carreira reflete a crescente profissionalização das operações de lobby, arrecadação de fundos e relacionamento político do AIPAC, inclusive com doadores.
Em conjunto, esses perfis ilustram um grupo de liderança definido por um compromisso institucional de longo prazo, sucesso profissional externo e autoridade estratégica centralizada no topo de uma das organizações de lobby sionista mais influentes de Washington.

De financistas a operadores políticos, perfil dos 50 líderes do AIPAC mostra como influência sustenta-se em gestão profissional, redes de doadores e atividades disfarçadas de ‘educacionais’
Der Judenstaat/Wikicommons
A Estrutura Operacional: Executivos que Mantêm a Máquina em Funcionamento
A pesquisa da DAWN destaca executivos cujo papel operacional é fundamental para o funcionamento diário e a estabilidade a longo prazo do AIPAC.
Suzanne M. Kinzer, Diretora Financeira, supervisiona todas as operações financeiras e a conformidade regulatória, incluindo a assinatura das declarações fiscais anuais da organização.
Samantha C. Margolis ocupa os cargos de diretora administrativa e chefe de gabinete, gerenciando as operações internas e atuando como principal assistente da liderança executiva.
Brian T. Shankman é o diretor estratégico de assuntos nacionais, com foco na arrecadação de fundos e no desenvolvimento de doadores em nível nacional. Sua nomeação sucede uma carreira de 30 anos no AIPAC, ressaltando a importância da continuidade interna.
Esses perfis demonstram que a influência sustentada do AIPAC se baseia não apenas na defesa de políticas públicas, mas também na gestão financeira disciplinada, na administração interna e na construção sistemática de redes de doadores que financiam sua atividade política.
Outra figura central na governança institucional do AIPAC é Howard Kohr, cujas quase três décadas como diretor executivo coincidiram com um crescimento substancial no orçamento, na equipe e no alcance nacional da organização. Após deixar o cargo executivo, Kohr ingressou no conselho de administração do AIPAC.
Mark Rubin, secretário e tesoureiro, é um executivo do setor imobiliário cujas contribuições políticas refletem uma estratégia bipartidária, apoiando candidatos de ambos os principais partidos, em consonância com os objetivos do AIPAC de influenciar a política dos EUA em favor dos interesses do regime israelense.
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Michael Tuchin, ex-presidente do AIPAC e proeminente advogado especializado em falências, está se consolidando como um intermediário fundamental entre doadores de alto escalão e autoridades do regime israelense. A DAWN destaca sua participação em reuniões informativas com doadores sobre a dinâmica política dos EUA.
Alan Franco, membro do conselho administrativo e natural da Louisiana, está ligado a importantes contribuições políticas e a think tanks (grupos de reflexão) focados em promover as políticas militar e de segurança regional do regime israelense.
Outro membro, Alan Levow, também atua como vice-presidente da American Foundation for International Education (AIEF), o braço filantrópico do AIPAC que financia viagens educacionais para membros do Congresso. Essa dupla função ilustra como a estrutura de governança do AIPAC está intrinsicamente ligada às suas atividades de lobby e influência, disfarçadas em parte como iniciativas ‘educacionais’.
























