Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Mais de 20 países aceitaram aderir o chamado “Conselho da Paz” de Donald Trump, proposta que terá como objetivo supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza após o genocídio perpetrado por Israel desde outubro de 2023. O organismo foi oficializado na manhã desta quinta-feira (22/01), no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, pelo presidente dos Estados Unidos.

Além do presidente dos EUA, o documento foi assinado por 23 países: Armênia; Arábia Saudita; Argentina; Azerbaijão; Bahrein; Belarus; Bulgária; Catar; Cazaquistão; Egito; Emirados Árabes Unidos; Hungria; Indonésia; Israel; Jordânia; Kosovo; Marrocos; Mongólia; Paquistão; Paraguai; Turquia; Uzbequistão e Vietnã.

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Da Europa, Noruega, Eslovênia e Suécia rejeitaram a adesão. A França também indicou que não deve participar da iniciativa. Já a premiê italiana, Giorgia Meloni, pediu mais tempo para “avaliar” a entrada de seu país no conselho. Na Ásia, a China recusou o convite.

Países como Alemanha, Reino Unido, Canadá, Croácia, Índia, Tailândia, Singapura, Japão e Ucrânia ainda não se posicionaram oficialmente sobre o convite. Anteriormente, foi noticiado que cerca de 60 países haviam sido convidados a participar da organização.

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A Rússia, porém, ainda não confirmou se irá aderir ao organismo. No entanto, o presidente russo Vladimir Putin se reuniu nesta quinta com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e prometeu destinar US$ 1 bi (cerca de R$ 5 bilhões) em ativos congelados pelos EUA para reconstrução de Gaza.

Celso Amorim criticou falta de clareza sobre convite de Trump para “Conselho da Paz”
@TheWhiteHouse

Celso Amorim diz que proposta é “confusa”

O principal assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim disse que o Brasil não deve aceitar, nos moldes atuais, a proposta de Trump para aderir ao Conselho da Paz. Em entrevista ao jornal O Globo, o diplomata disse que “as coisas não estão claras” sobre o convite, especialmente porque a iniciativa não é resultado de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU).

Amorim acrescentou que “a própria carta [do conselho proposto por Trump] é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo”. Ele explicou que a palavra “Gaza” não é mencionada no documento, referindo-se assim a qualquer conflito.

Segundo ele, o que está claro na proposta é a revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. “Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país”, disse.

A autoridade do governo Lula afirmou que o Oriente Médio é uma região muito importante para o Brasil e que, para confirmar a participação brasileira, seria necessário “saber a opinião dos próprios palestinos e de outros países árabes”. “Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente. Até agora, os países europeus não aceitaram”.

Um possível rechaço brasileiro se dá, principalmente, porque “Trump disse não aceitar emendas”. “Não é possível discutir, ajustar aqui ou ali. É um contrato de adesão”, afirmou Amorim.

Questionado se o convite poderia ser interpretado como uma armadilha diplomática, Amorim descartou essa hipótese. “Não acho. Ele mandou para muitos países. Seria uma armadilha para a França? Para a Itália? Não vejo assim”, afirmou, observando que Trump costuma adotar uma visão de relações internacionais na qual se coloca como figura central.

(*) Com Brasil247 e RT en español.