Terça-feira, 9 de dezembro de 2025
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A agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) afirmou em um relatório que as operações militares de Israel “minaram significativamente todos os pilares da sobrevivência” e que toda a população de 2,3 milhões de pessoas enfrenta um “empobrecimento extremo e multidimensional”. Segundo o documento, a reconstrução provavelmente custará mais de US$ 70 bilhões (R$ 53 bilhões) ao longo de várias décadas.

O relatório afirmou que a economia de Gaza contraiu 87% ao longo de 2023-2024, deixando seu produto interno bruto (PIB) per capita em apenas US$ 161, um dos mais baixos do mundo. Também é colocado em destaque que “a violência, a expansão acelerada dos assentamentos e as restrições à mobilidade dos trabalhadores” “dizimaram a economia” na Cisjordânia.

“A queda acentuada das receitas e a retenção de transferências fiscais por parte do governo israelense têm limitado severamente a capacidade do governo palestino de manter serviços públicos essenciais e investir na recuperação”, afirmou. “Isso ocorre em um momento crítico, quando são necessários gastos maciços para reconstruir a infraestrutura destruída e enfrentar as crescentes crises ambientais e socioeconômicas”.

O relatório constatou que a maior contração econômica já registrada aniquilou décadas de progresso na Cisjordânia e em Gaza. “Até o final de 2024, o PIB palestino caiu para o nível de 2010, enquanto o PIB per capita retornou ao de 2003, apagando 22 anos de progresso no desenvolvimento em menos de dois anos”.

Em sua atualização mais recente, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) afirmou que a maioria das famílias em Gaza não tem condições de comprar itens básicos de alimentação. Segundo o PMA, os preços caíram drasticamente nas últimas semanas, mas a quantidade de alimentos consumida diariamente ainda está muito abaixo dos níveis pré-guerra.

Em outubro, Israel e Hamas aceitaram um cessar-fogo mediado pelos EUA. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde de Gaza pelo menos 342 palestinos foram mortos por disparos israelenses desde o início da trégua. Israel afirma que três de seus soldados foram mortos por disparos de militantes no mesmo período.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o plano de Trump, que prevê um governo palestino tecnocrático interino em Gaza, supervisionado por um “conselho de paz” internacional e apoiado por uma força de segurança internacional.