União Europeia concorda em sancionar colonos israelenses por violência na Cisjordânia
'Extremismo e violência têm consequências' afirma chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas; medida é aprovada após suspensão do veto húngaro
A União Europeia concordou em “dar o sinal verde” para sancionar colonos israelenses por violência contra palestinos e figuras importantes do Hamas. As medidas têm como alvo três colonos israelenses e quatro organizações de colonos; no entanto, suas identidades ainda não foram divulgadas publicamente.
“Já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a concretização”, disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, em uma publicação nas redes sociais após o acordo. “Extremismos e violência têm consequências.”
A aprovação sobre os pacotes de sanções aconteceu durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos Estados-membros, nesta segunda-feira (11/05). As medidas contra os colonos israelenses foram bloqueadas pelo governo do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, mas, com a nomeação do novo premiê, Peter Magyar, no sábado (09/05), o veto foi rapidamente suspenso.
EU Foreign Ministers just gave the go-ahead to sanction Israeli settlers over violence against Palestinians.
They also agreed new sanctions on leading Hamas figures.
It was high time we move from deadlock to delivery.
Extremisms and violence carry consequences.— Kaja Kallas (@kajakallas) May 11, 2026
O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, saudou a mudança de posição, afirmando que a UE estava “sancionando as principais organizações israelenses culpadas de apoiar a colonização extremista e violenta da Cisjordânia” e acrescentou nas redes sociais que “esses atos gravíssimos e intoleráveis devem cessar sem demora”.
Por sua vez, o governo genocida de Israel condenou as medidas, reafirmando sua posição de que os colonos têm o direito de se estabelecer na Cisjordânia ocupada, apesar de isso violar o direito internacional.
“A União Europeia optou, de forma arbitrária e política, por impor sanções a cidadãos e entidades israelenses devido às suas opiniões políticas e sem qualquer fundamento”, afirmou o Ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, nas redes sociais.
Israel firmly rejects the decision to impose sanctions on Israeli citizens and organizations.
The European Union has chosen, in an arbitrary and political manner, to impose sanctions on Israeli citizens and entities because of their political views and without any basis.…
— Gideon Sa’ar | גדעון סער (@gidonsaar) May 11, 2026
Já o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben Gvir, acusou a UE de “antissemita” e afirmou que a ocupação ilegal “por meio do empreendimento de assentamentos não será detida” e que “continuaremos a construir, a plantar, a defender e a estabelecer assentamentos em toda a terra de Israel”.
“Esperar que a União Europeia, tão antissemita, tome uma decisão moral é como esperar que o sol nasça no oeste. Enquanto nossos inimigos perpetram ataques e assassinam judeus, a União Europeia tenta amarrar as mãos daqueles que se defendem”, disse Ben Gvir em uma publicação nas redes sociais.
לצפות מהאיחוד האנטישמי לקבל החלטה מוסרית, זה כמו לצפות שהשמש תזרח במערב.
בזמן שאויבינו מפגעים ורוצחים ביהודים, האיחוד האירופי מנסה לכבול את ידיהם של אלו שמגנים על עצמם.
אני קורא לשר המשפטים יריב לוין לקדם בוועדת שרים לחקיקה את הצעת החוק של חה״כ לימון סון הר מלך שתמנע מהבנקים…
— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) May 11, 2026
Em 2025, a expansão dos assentamentos israelenses atingiu seu nível mais alto desde pelo menos 2017, quando as Nações Unidas começaram a coletar dados, e mais de 500 mil colonos vivem ilegalmente em assentamentos na Cisjordânia ocupada.
Anteriormente, em 2024 a União Europeia impôs, através de outro pacote, o congelamento de bens e proibições de viagem a quatro pessoas e duas entidades. A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergar, defendeu a aplicação de tarifas sobre essas importações, além de sanções contra “ministros israelenses que estão impulsionando esses assentamentos”.
Nesse contexto, o chanceler italiano Antonio Tajani afirmou que a Comissão Europeia apresentaria uma proposta sobre a medida e, em seguida, o bloco avaliaria se ela teria apoio suficiente.
A Bruxelles per il Consiglio Affari Esteri. Le mie dichiarazioni alla stampa. pic.twitter.com/Q4jBRkTeTO
— Antonio Tajani (@Antonio_Tajani) May 11, 2026
Líderes do Hamas sancionados
O chanceler francês afirmou que durante a reunião também concordaram em sancionar a liderança do grupo palestino Hamas, cujo braço armado foi um dos principais participantes do ataque ao sul de Israel a partir de Gaza, em 7 de outubro de 2023.
“Trata-se de sancionar os principais líderes do Hamas, responsáveis pelo pior massacre antissemita da nossa história desde o Holocausto, durante o qual 51 franceses perderam a vida, um movimento terrorista que deve ser imperativamente desarmado e excluído de qualquer participação no futuro da Palestina”, escreveu Barrot nas redes sociais.
Por sua vez, um alto funcionário do Hamas acusou a UE de hipocrisia política e racismo. “Isso equipara um carrasco fascista que se vangloria de cometer genocídio e limpeza étnica, um estado pária que viola todas as leis internacionais, à vítima que se defende de acordo com todas as leis e estatutos”, disse Basem Naim à agência de notícias Reuters.
C’est fait !
L’Union européenne sanctionne aujourd’hui les principales organisations israéliennes coupables de soutenir la colonisation extrémiste et violente de la Cisjordanie, ainsi que leur dirigeants. Ces actes gravissimes et intolérables doivent cesser sans délais.
Elle…
— Jean-Noël Barrot (@jnbarrot) May 11, 2026
























