Terça-feira, 19 de maio de 2026
APOIE
Menu

A União Europeia concordou em “dar o sinal verde” para sancionar colonos israelenses por violência contra palestinos e figuras importantes do Hamas. As medidas têm como alvo três colonos israelenses e quatro organizações de colonos; no entanto, suas identidades ainda não foram divulgadas publicamente.

“Já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a concretização”, disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, em uma publicação nas redes sociais após o acordo. “Extremismos e violência têm consequências.”

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

A aprovação sobre os pacotes de sanções aconteceu durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores dos Estados-membros, nesta segunda-feira (11/05). As medidas contra os colonos israelenses foram bloqueadas pelo governo do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, mas, com a nomeação do novo premiê, Peter Magyar, no sábado (09/05), o veto foi rapidamente suspenso.

Mais lidas

O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, saudou a mudança de posição, afirmando que a UE estava “sancionando as principais organizações israelenses culpadas de apoiar a colonização extremista e violenta da Cisjordânia” e acrescentou nas redes sociais que “esses atos gravíssimos e intoleráveis devem cessar sem demora”.

Por sua vez, o governo genocida de Israel condenou as medidas, reafirmando sua posição de que os colonos têm o direito de se estabelecer na Cisjordânia ocupada, apesar de isso violar o direito internacional.

“A União Europeia optou, de forma arbitrária e política, por impor sanções a cidadãos e entidades israelenses devido às suas opiniões políticas e sem qualquer fundamento”, afirmou o Ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, nas redes sociais.

Já o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben Gvir, acusou a UE de “antissemita” e afirmou que a ocupação ilegal “por meio do empreendimento de assentamentos não será detida” e que “continuaremos a construir, a plantar, a defender e a estabelecer assentamentos em toda a terra de Israel”.

“Esperar que a União Europeia, tão antissemita, tome uma decisão moral é como esperar que o sol nasça no oeste. Enquanto nossos inimigos perpetram ataques e assassinam judeus, a União Europeia tenta amarrar as mãos daqueles que se defendem”, disse Ben Gvir em uma publicação nas redes sociais.

Em 2025, a expansão dos assentamentos israelenses atingiu seu nível mais alto desde pelo menos 2017, quando as Nações Unidas começaram a coletar dados, e mais de 500 mil colonos vivem ilegalmente em assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Anteriormente, em 2024 a União Europeia impôs, através de outro pacote, o congelamento de bens e proibições de viagem a quatro pessoas e duas entidades. A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergar, defendeu a aplicação de tarifas sobre essas importações, além de sanções contra “ministros israelenses que estão impulsionando esses assentamentos”.

Nesse contexto, o chanceler italiano Antonio Tajani afirmou que a Comissão Europeia apresentaria uma proposta sobre a medida e, em seguida, o bloco avaliaria se ela teria apoio suficiente.

Líderes do Hamas sancionados

O chanceler francês afirmou que durante a reunião também concordaram em sancionar a liderança do grupo palestino Hamas, cujo braço armado foi um dos principais participantes do ataque ao sul de Israel a partir de Gaza, em 7 de outubro de 2023.

“Trata-se de sancionar os principais líderes do Hamas, responsáveis pelo pior massacre antissemita da nossa história desde o Holocausto, durante o qual 51 franceses perderam a vida, um movimento terrorista que deve ser imperativamente desarmado e excluído de qualquer participação no futuro da Palestina”, escreveu Barrot nas redes sociais.

Por sua vez, um alto funcionário do Hamas acusou a UE de hipocrisia política e racismo. “Isso equipara um carrasco fascista que se vangloria de cometer genocídio e limpeza étnica, um estado pária que viola todas as leis internacionais, à vítima que se defende de acordo com todas as leis e estatutos”, disse Basem Naim à agência de notícias Reuters.