Universidade Islâmica de Gaza retoma aulas após dois anos de genocídio
Estudantes voltaram às atividades presenciais em meio aos prédios danificados que foram parcialmente restaurados; ‘dia histórico apesar da tragédia’, disse presidente da faculdade
A Universidade Islâmica de Gaza deu os primeiros passos para retomar as aulas presenciais para os estudantes palestinos após dois anos de interrupção forçada dos estudos devido ao genocídio promovido por Israel no enclave.
Em meio a prédios danificados por ataques aéreos, parcialmente reduzidos a escombros e paredes rachadas e restauradas, centenas de estudantes retornaram às salas de aula no sábado (30/11).
A Universidade Islâmica retomou suas aulas presenciais voltadas aos cursos de Medicina e Ciências da Saúde pela primeira vez após a guerra israelense ter suspendido o processo educacional por dois anos.
“Hoje é um dia histórico. Estamos retomando as atividades educacionais apesar da tragédia e da crueldade deixadas pelo genocídio”, declarou o presidente da Universidade Islâmica, Asaad Yousef Asaad.
“Os palestinos, como todos sabem, amam a vida e a educação”, acrescentou. Ele também observou que um plano gradual para o retorno integral está em andamento, em coordenação com o Ministério da Educação e do Ensino Superior.
Asaad lembrou que a Universidade Islâmica, assim como todas as faculdades do enclave, sofreu extensa destruição, incluindo a demolição de vários edifícios principais.
Apesar da violência israelense, o centro acadêmico tentou promover o ensino online em meio ao deslocamento de pessoas, cortes de energia e interrupções nos sistemas de comunicação. Segundo o presidente, quatro mil alunos se formaram durante a guerra por meio do ensino remoto.
O estudante da faculdade de Medicina Malak al-Moqayad disse “estar feliz” pelo retorno das aulas presenciais. “A universidade foi muito danificada, mas conseguiu restaurar o prédio apesar da superlotação. Todos nos sentimos orgulhosos, alegres e honrados por continuar aprendendo”, declarou.

Universidade Islâmica retomou aulas presenciais para cursos de Medicina, Ciências da Saúde, Enfermagem e Engenharia
The Islamic University of Gaza
O aluno afirmou que diante da necessidade prática do curso, os estudantes estão se “esforçando para frequentar as aulas presencialmente”. “Apesar de tudo o que aconteceu, a universidade recuperou suas forças e acolheu os alunos novamente. Há uma forte paixão pela educação”, concluiu.
Sama Radi também expressou felicidade por poder ingressar na universidade após o genocídio e retornar ao aprendizado presencial.
“Este é o primeiro dia de aulas presenciais”, disse ela. “Apesar da destruição e dos bombardeios, estamos sentados em salas de aula, e tenho orgulho do meu país e da minha universidade, que conseguiram se reerguer do genocídio israelense e voltar mais fortes do que antes”.
No domingo (30/11), os estudantes de Engenharia e Enfermagem retomaram as aulas presenciais. Já nesta terça-feira (02/12), a Universidade Islâmica comunicou que “continua a receber novos estudantes para se inscreverem em diversas disciplinas”, e que incentiva os “antigos alunos à irem à sede da faculdade para resolver suas dúvidas”.
Durante as incessantes ofensivas das Forças de Defesa Israelense (IDF, como é chamado o exército israelense), partes dos edifícios da universidade também abrigam centenas de famílias deslocadas cujas casas foram destruídas durante o genocídio.
Segundo o Gabinete de Imprensa de Gaza, o genocídio de Israel destruiu 165 escolas, universidades e instituições de ensino, enquanto 392 sofreram danos parciais, paralisando o setor da educação no enclave palestino.
Desde outubro de 2023, o exército israelense matou quase 70 mil pessoas em Gaza, a maioria mulheres e crianças. As ofensivas também feriram mais de 170 mil no enclave palestino que, apesar do cessar-fogo, segue sendo alvo dos ataques israelenses.
(*) Com Middle East Monitor























