UNRWA promove vacinação de crianças e alerta para níveis recordes de doenças na Faixa de Gaza
Prédio da agência humanitária da ONU foi demolido nesta segunda (19), em Jerusalém Oriental, diante de parlamentares e membro do governo israelense
A Agência das Nações Unidas para Socorro e Trabalho para Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) alertou nesta segunda-feira (19/01) para níveis recordes de surtos de doenças na Faixa de Gaza, agravados pelo frio extremo, chuvas intensas e enchentes.
O quadro, afirmou o Comissário-geral da entidade, Philippe Lazzarini, é resultado do quase total colapso do sistema de saúde, da negação sistemática de vacinas às crianças palestinas e das severas restrições à entrada de ajuda humanitária essencial, que permanecem no território.
No último domingo, em parceria com a Unicef e organizações locais, a UNRWA iniciou uma segunda rodada da campanha de vacinação para crianças menores de três anos. “Isso é mais importante do que nunca”, salientou o Comissário-geral da agência humanitária.
“Em meio a mais de dois anos de guerra (israelense) na Faixa de Gaza, crianças foram repetidamente privadas das vacinas necessárias para protegê-las de doenças evitáveis. O rigoroso inverno, com frio, chuvas torrenciais e inundações, mantém Gaza sob seu domínio”, afirmou Lazzarini em postagem na rede X.
Ele explicou que o cenário agrava os riscos de doenças, “que já estão em níveis recordes devido à falta de água e saneamento básico em abrigos superlotados, além do colapso do sistema de saúde”. Segundo a Unicef, mais de 100 crianças foram mortas em ataques israelenses desde o início do cessar-fogo, em outubro do ano passado. Já os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 18 mil palestinos precisam de atendimento médico.
Frio e tempestades
Lazzarini também alertou que as condições climáticas e a previsão de novas tempestades tendem a agravar a situação onde milhares de palestinos vivem em tendas improvisadas. O Escritório de Mídia do Governo de Gaza afirma que 127 mil das 135 mil tendas encontram-se inutilizáveis devido ao frio extremo.
O órgão também afirma que a média diária dos caminhões com ajuda que estão entrando no território giram em torno de 145 veículos, um número muito abaixo dos 600 caminhões prometidos após o cessar-fogo.

Frio e tempestades ameaçam milhares de palestinos que se abrigam em tendas; na imagem o campo de refugiados em Al-Mawasi
Ashraf Amra / UNRWA – Wikimedia Commons
UNRWA
A denuncia sobre o cenário em Gaza ocorreu no mesmo dia em que a sede da agência da UNRWA foi destruída em Jerusalém Oriental. Segundo postagem de Lazzarini, tratores iniciaram a demolição do edifício sob a presença de parlamentares e de um integrante do governo israelense.
A UNRWA classificou a ação como “um ataque sem precedentes contra uma agência das Nações Unidas e suas instalações”, ressaltando que Israel, como Estado-membro da ONU, tem a obrigação de proteger e respeitar a inviolabilidade dos prédios da organização.
O comunicado destaca que a ofensiva se insere em uma sequência de medidas adotadas por autoridades israelenses visando “apagar a identidade dos refugiados palestinos”. Em 12 de janeiro, forças israelenses invadiram um centro de saúde da agência e ordenaram seu fechamento. O fornecimento de água e energia para instalações da UNRWA — incluindo unidades de saúde e educação — está programado para ser interrompido nas próximas semanas.
Segundo Lazzarini, a agência atribui essas ações à legislação aprovada pelo parlamento israelense em dezembro, que ampliou leis anti-UNRWA já existentes no país desde 2024. O endurecimento legal se soma a ataques incendiários anteriores e a uma campanha de desinformação em larga escala contra a organização, afirma.
“O que acontece hoje com a UNRWA acontecerá amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática, seja no Território Palestino Ocupado ou em qualquer lugar do mundo. O direito internacional vem sendo atacado cada vez mais há muito tempo e corre o risco de se tornar irrelevante na ausência de uma resposta dos Estados-membros”, afirmou o Comissário-geral da UNRWA.




















