Domingo, 7 de dezembro de 2025
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A disputa diplomática em torno do conflito ucraniano entrou em uma nova fase após as declarações do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que afirmou ao repórter de TV Pavel Zarubin  no domingo (30/11) que a Europa “se retirou” das negociações destinadas a uma solução política.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia argumentou que os governos europeus “minaram todos os acordos anteriores”, referindo-se aos Acordos de Minsk de 2014 e 2015, e que, portanto, perderam qualquer capacidade de influenciar a atual arquitetura de negociação.

Moscou acredita que qualquer ação futura dependerá exclusivamente de um entendimento entre os Estados Unidos e a Rússia, enquanto a Ucrânia atravessa um período de extrema fragilidade interna.

Segundo Lavrov, as recentes declarações de Angela Merkel, reconhecendo que Minsk serviu para fortalecer militarmente Kiev antes de um inevitável confronto armado, confirmaram que a União Europeia não atuou como garantidora, mas sim como parte interessada em um conflito prolongado. Para a Rússia, esse precedente desqualifica a Europa como um ator confiável em quaisquer negociações de paz.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, elaborou sobre este ponto, alertando que “cada dia de atraso é um dia perdido para Zelensky”, observando que o governo ucraniano enfrenta uma deterioração simultânea de sua posição militar e estabilidade política. Peskov enfatizou que o poder em Kiev “está ruindo devido à corrupção” em torno da gestão de fundos dos Estados Unidos e da União Europeia, e afirmou que o futuro do atual governo ucraniano é “impossível de prever”.

Entretanto, o país atravessa uma crise interna após as autoridades anticorrupção terem realizado buscas nas residências de altos funcionários, incluindo o agora ex-chefe de gabinete Andrei Yermak, que também coordenava a equipe de negociação com a Rússia. A queda de Yermak deixou o governo sem seu principal interlocutor internacional na fase mais delicada do processo.

Segundo Lavrov, as recentes declarações de Angela Merkel, reconhecendo que Minsk serviu para fortalecer militarmente Kiev antes de um inevitável confronto armado, confirmam que a UE atuou não como garantidora, mas como parte interessada

Segundo Lavrov, as recentes declarações de Angela Merkel, reconhecendo que Minsk serviu para fortalecer militarmente Kiev antes de um inevitável confronto armado, confirmam que a UE atuou não como garantidora, mas como parte interessada
Russian Foreign Ministry/TASS

Rubio: Houve progresso, mas ainda há muito a ser feito

Enquanto a Europa é deixada de lado, os Estados Unidos intensificaram sua diplomacia direta com Kiev. Neste domingo (29/11), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, liderou uma reunião de quatro horas na Flórida com a delegação ucraniana, que ele descreveu como “produtiva, mas com muito trabalho ainda a ser feito”.

Rubio argumentou que o objetivo não é apenas parar a guerra, mas também “garantir o futuro econômico e a prosperidade da Ucrânia a longo prazo”, um elemento fundamental que Washington considera essencial para qualquer acordo.

A reunião contou também com a participação do enviado especial Steve Witkoff, que viajará a Moscou na próxima semana, e do conselheiro presidencial Jared Kushner. A Ucrânia foi representada por Rustem Umerov, Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, acompanhado por altos funcionários.

A delegação ucraniana afirmou que os Estados Unidos demonstraram uma postura de “compreensão”, embora Kiev continue sob pressão após o vazamento do plano norte-americano na semana passada, que propunha, entre outras coisas, uma redução do exército ucraniano.

O documento, para o qual Trump teria estabelecido um prazo até o Dia de Ação de Graças para aceitação, gerou forte preocupação em Kiev e rejeição por parte de setores europeus excluídos das discussões. No entanto, as negociações em Genebra, durante o fim de semana, resultaram em uma nova proposta de 19 pontos, com alguns elementos favoráveis ​​a Kiev e seus aliados.

As negociações entre Washington e Moscou estão progredindo, enquanto a Ucrânia negocia a partir de uma posição enfraquecida, marcada por crise política, desgaste militar e isolamento diplomático europeu.