Exército russo ataca fábricas de drones da Ucrânia
Segundo comunicado oficial, ofensiva teve como alvo estruturas estratégicas para esforço militar de Kiev; Zelensky pede mais apoio europeu
As Forças Armadas da Rússia informaram neste sábado (27/12) que realizaram ataques contra instalações ligadas à produção de drones na Ucrânia. Segundo o comunicado oficial, a ofensiva teve como alvo estruturas estratégicas para o esforço militar de Kiev.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Defesa da Rússia, os ataques também atingiram a infraestrutura de energia e o setor militar-industrial da Ucrânia. De acordo com o relato, foram empregados mísseis hipersônicos do tipo Kinzhal durante a operação.
Ainda segundo o balanço apresentado, os sistemas de defesa antiaérea russos derrubaram, apenas no último dia, 78 drones ucranianos de asa fixa. O ministério afirma que a ação buscou reduzir a capacidade operacional das forças adversárias em diferentes regiões do país.
O comunicado também trouxe dados sobre as operações conduzidas por agrupamentos militares russos em várias frentes. O grupo Tsentr (Centro) teria eliminado mais de 440 soldados ucranianos, além de destruir um veículo blindado, dois carros e duas peças de artilharia de campanha. Já o agrupamento Sever (Norte) teria causado perdas de até 180 efetivos, 14 veículos e três peças de artilharia.
Na região de atuação do agrupamento Yug (Sul), o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que as forças ucranianas perderam até 115 militares, quatro veículos blindados, nove carros e duas peças de artilharia de campanha. No setor oeste, sob responsabilidade do agrupamento Zapad (Oeste), as perdas relatadas incluem até 200 combatentes, quatro veículos blindados e 11 carros.
O agrupamento Vostok (Leste), segundo o informe oficial, eliminou mais de 220 militares ucranianos, além de um tanque, nove veículos blindados, cinco carros e quatro peças de artilharia. Já na área do agrupamento Dniepre, teriam sido neutralizados até 55 soldados, três carros e duas peças de artilharia de campanha.
No balanço geral desde o início da operação militar especial, em 2022, o Exército russo afirma ter destruído mais de 105 mil veículos aéreos não tripulados, 640 sistemas de mísseis antiaéreos, 26.747 tanques e outros veículos blindados de combate, além de milhares de peças de artilharia, lançadores múltiplos de foguetes e veículos militares especiais, segundo os dados oficiais divulgados.
Zelensky cobra ajuda europeia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou por meio da rede social X que o ataque russo usou “quase 500 drones, além de 40 mísseis”. “O principal alvo é Kiev – instalações de energia e infraestrutura civil. Infelizmente, houve impactos e prédios residenciais comuns foram danificados”, relatou.
Another Russian attack is still ongoing: since last night, there have been almost 500 drones – a large number of “shaheds” – as well as 40 missiles, including Kinzhals. The primary target is Kyiv – energy facilities and civilian infrastructure. Regrettably, there have been hits,… pic.twitter.com/OxBntAUgla
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) December 27, 2025
Segundo o mandatário, equipes de resgate ucranianas procuram uma pessoa presa sob os escombros de um dos prédios. “Em alguns bairros da capital e da região, o fornecimento de eletricidade e aquecimento está interrompido”, acrescentou.

Apesar de criticar ações militares de Moscou, Zelensky apelou pelo “apoio efetivo dos europeus”
Volodymyr Zelenskyy/X
Zelensky aproveitou a situação para afirmar que a Rússia “não quer o fim da guerra”, uma vez que ainda não respondeu a mais recente proposta de trégua elaborada pelos Estados Unidos. Por outro lado, disse que Washington e seus aliados europeus “tem a capacidade” de combater Moscou.
Mais uma vez, Zelensky cobrou apoio desses países à Ucrânia. “Os suprimentos para a defesa aérea devem ser suficientes e entregues em tempo hábil, especialmente agora, quando mais precisamos deles. Não pode haver atrasos na proteção de vidas. Agradeço a todos os líderes e a todos os países que estão ajudando com isso”, declarou.
Em outra declaração no X, o presidente ucraniano afirmou que o ataque mostra “a resposta da Rússia ao caminho das negociações”. Apesar de criticar as ações militares de Moscou, Zelensky apelou pelo “apoio efetivo dos europeus” porque a Ucrânia não tem “sistemas de defesa aérea adicionais suficientes”.
“Precisamos de um fornecimento sistemático de sistemas e mísseis. Mais mísseis são necessários, pois a Rússia está intensificando seus ataques, utilizando mais drones e mísseis”, pediu, mais uma vez.
A ofensiva russa ocorreu horas antes de Zelensky manter conversas com líderes europeus neste sábado (27/12) e o presidente dos EUA, Donald Trump, no próximo domingo (28/12). “É claro que não reduziremos nossos esforços diplomáticos. Mas a diplomacia não funciona sem segurança. A segurança deve ser garantida pelas maiores potências mundiais”, acrescentou.
Trump comentou sobre seu encontro com Zelensky, a fim de discutir o cessar-fogo no leste europeu. “Não há nada de concreto até que eu aprove”, afirmou o republicano sobre a última versão da proposta estadunidense revisada por Kiev e enviada à Rússia.
Por fim, o mandatário de Washington também destacou que espera se reunir com o líder da outra parte do conflito, o presidente russo, Vladimir Putin, “em breve”.
As últimas negociações entre Washington e Kiev produziram um plano de paz de 20 pontos que foi enviado à Rússia, porém o governo Putin ainda não respondeu. Segundo Zelensky, a proposta prevê o congelamento da atual linha de frente da guerra e não determina que a Ucrânia renuncie legalmente a ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A Rússia, no entanto, exige a cessão de todo o Donbass, região que engloba as províncias de Donetsk e Lugansk, e que a Ucrânia se comprometa a não entrar na Otan. Também ainda há discordâncias a respeito da gestão da usina ucraniana de Zaporizhzhia, maior central nuclear da Europa e ocupada pelas forças russas.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, declarou que a proposta difere radicalmente” dos pontos inicialmente definidos pelas autoridades norte-americanas e russas. “Sem uma resolução adequada dos problemas que estão na origem desta crise, será simplesmente impossível chegar a um acordo definitivo”, acrescentou Ryabkov, citado pelo jornal britânico The Guardian.
(*) Com Ansa, Brasil247 e Sputnik























