Guerra na Ucrânia: 12 diferenças entre os planos da Europa e dos EUA
Enquanto Washington declara que Kiev não fará parte da OTAN, UE afirma que 'adesão depende de consenso entre membros' do bloco e prevê volta 'gradual' de Moscou à economia global
A Reuters publicou o suposto texto integral do plano de paz europeu, em meio a inúmeros relatos de que a União Europeia busca ajustar a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou após a reunião que “foi o melhor dia que tivemos nos 10 meses em que estamos trabalhando nessas questões”. Rubio também confirmou que certas modificações foram feitas ao plano de paz do líder da Casa Branca, sem especificar quais
1) A promessa de não expandir a OTAN foi retirada.
O ponto 3 do plano dos EUA foi removido. Ele afirmava: “Será confirmado que a Rússia não pretende atacar os países vizinhos e que a OTAN não continuará sua expansão .”
2) O tamanho do Exército ucraniano será limitado a 800.000 pessoas em tempos de paz, de acordo com o plano europeu, enquanto no plano de Trump era de 600.000.
3) A possibilidade de a Ucrânia aderir à OTAN permanece em aberto. O ponto 7 da proposta europeia afirma: “A adesão da Ucrânia à OTAN depende do consenso dos seus membros, o qual não existe”.
O plano dos EUA declarava: “A Ucrânia concorda em consagrar em sua Constituição que não ingressará na OTAN, e a OTAN concorda em incluir em sua Carta uma disposição afirmando que a Ucrânia não será admitida no futuro”.
4) O ponto 8 da proposta europeia afirma que a OTAN não destacará tropas para a Ucrânia apenas em tempos de paz, enquanto a iniciativa dos EUA diz: “A OTAN concorda em não estacionar tropas na Ucrânia”.
5) A Ucrânia recebe uma “garantia dos EUA”, em consonância com o Artigo 5 da Carta da OTAN, que estipula que um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos. No plano dos EUA, o ponto 10 menciona simplesmente uma “garantia dos EUA”, sem especificar de que tipo.
6) O plano europeu não proíbe a Ucrânia de atacar Moscou e São Petersburgo. Essa parte do ponto 10 do plano de Washington foi simplesmente removida.
7) A Rússia se reintegrará gradualmente à economia global, de acordo com o ponto 13 do plano europeu. Já o plano dos EUA omite a palavra “gradualmente”.

Plano de paz europeu para Ucrânia sugere alterações na proposta dos EUA
President of Ukraine / Flickr
8) A Europa insiste, mais uma vez, na transferência de ativos russos para a Ucrânia. O plano de Trump propõe “investir US$ 100 bilhões em ativos russos congelados nos esforços de reconstrução da Ucrânia”. Os Estados Unidos receberiam 50% dos lucros dessa iniciativa. A Europa contribuiria com US$ 100 bilhões para aumentar o investimento.
Entretanto, o plano europeu afirma: “A Ucrânia será totalmente reconstruída e compensada financeiramente, inclusive por meio de ativos soberanos russos que permanecerão congelados até que a Rússia indenize a Ucrânia pelos danos”.
9) A Ucrânia e a Europa exigiram ser incluídas no grupo que monitorará o cumprimento do acordo de paz. O documento dos EUA especifica que apenas Moscou e Washington supervisionarão essa questão.
10) O plano europeu afirma que “a Ucrânia adotará os padrões da UE em matéria de tolerância religiosa e proteção das minorias linguísticas”. A iniciativa dos EUA descreve esta questão de forma mais abrangente no ponto 20.
Assim, o documento insta à implementação de programas educativos nas escolas e na sociedade com o objetivo de promover a compreensão e a tolerância às diferentes culturas, bem como a eliminação do racismo e do preconceito. “Ambos os países concordam em abolir todas as medidas discriminatórias e garantir os direitos da mídia e da educação ucranianas e russas”, acrescenta.
11) O plano europeu afirma que “as negociações sobre a troca territorial começarão na linha de contato”, sem maiores detalhes. O plano dos EUA afirma que a Crimeia e as Repúblicas Populares de Luhansk e Donetsk serão reconhecidas de facto como território russo, inclusive pelos EUA, enquanto as províncias de Kherson e Zaporizhzhia permanecerão congeladas ao longo da linha de contato.
12) A iniciativa europeia não especifica um prazo preciso para a realização de eleições na Ucrânia. Afirma que elas serão realizadas “o mais breve possível”, enquanto os Estados Unidos estabeleceram um prazo de 100 dias.
No entanto, alguns pontos dos planos coincidem, como o ponto 13 “A Rússia será convidada a voltar a integrar o G8” e o ponto 19 “a eletricidade gerada pela central nuclear de Zaporozhie será partilhada igualmente entre a Rússia e a Ucrânia (50/50)”.
(*) com informações da RT em espanhol























