Guerra na Ucrânia: Moscou acusa países da OTAN de sabotarem negociações de paz
Representante russa na ONU, Anna Yevstigneyeva, afirma que aliança participa 'diretamente' do conflito, com 'financiamento, armas, inteligência, treinamento militar e apoio logístico'
A representante permanente interina da Rússia nas Nações Unidas, Anna Yevstigneyeva, acusou os países europeus de participarem diretamente no conflito na Ucrânia, apesar de seus apelos públicos pela paz e pela proteção da população civil.
“Nossos colegas europeus podem falar o que quiserem sobre paz, humanidade e proteção da população civil, mas há muito tempo é possível esconder a verdade essencial por trás dessa retórica hipócrita: eles são participantes diretos no conflito em torno da Ucrânia”, declarou ela, nesta quinta-feira (09/07), na reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à situação na Ucrânia.
O apoio dos países europeus ao regime de Kiev vai muito além do fornecimento de ajuda política: inclui financiamento, armas, munições, dados de inteligência, orientação de alvos, treinamento militar e apoio logístico, bem como “sabotagem de qualquer aparência de negociações de paz“, afirmou a representante russa.
A diplomata também criticou a narrativa de que a Rússia está sofrendo reveses militares enquanto representa uma ameaça aos países da OTAN. Ela argumentou que essas duas afirmações são mutuamente exclusivas e fazem parte de uma narrativa criada para justificar o aumento dos gastos militares e a militarização da Europa.

Guerra na Ucrânia: Moscou diz que países da OTAN sabotam negociações de paz
© Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia/TASS
“A ideia de que ‘a Rússia está sofrendo uma derrota, mas já está prestes a atacar os países da OTAN amanhã’ desafia a lógica mais básica. No entanto, continua encontrando eco entre os cidadãos europeus e membros da comunidade internacional. Porque toda essa militarização precisa ser justificada de alguma forma. É simplesmente um insulto à capacidade mental daqueles que, em princípio, são capazes de somar dois mais dois.”
Durante seu discurso, Yevstigneyeva também denunciou a situação da língua russa na Ucrânia, observando que ela foi proibida por lei e que seu uso pode ter sérias consequências para quem a fala. “Usá-la pode custar não apenas a sua saúde, mas também a sua vida. Isso é normal?”, questionou.
Por fim, a diplomata acusou os países europeus de ignorarem as vítimas civis do conflito tanto na Rússia quanto na Ucrânia: “eles não se intimidam com o sangue de civis, nem com a morte de mulheres, idosos e crianças. E sabem por quê? Porque não se importam com quantas pessoas morrem, seja na Rússia ou na Ucrânia. Todo esse humanismo em palavras não vale nada”, concluiu.























