Segunda-feira, 6 de julho de 2026
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em entrevista à agência estatal Vesti, neste domingo (28/06), que o país está pronto para retomar as negociações com Washington relacionadas à guerra na Ucrânia.

“Esperamos que, após a conclusão de todos os acontecimentos da fase mais intensa da questão iraniana, venham a Moscou os representantes da administração dos Estados Unidos com quem já nos reunimos diversas vezes. Estamos prontos para continuar as negociações”, disse.

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Ao ser questionado sobre as declarações dúbias do presidente norte-americano, Donald Trump, Putin disse duvidar que o republicano tenha mudado sua posição sobre o conflito, após seus encontros com os líderes da União Europeia, que apoiam Kiev. “Duvido que isso seja possível. Afinal, o presidente dos Estados Unidos é um político maduro, mais do que maduro, e já bastante experiente”,  afirmou.

Ele destacou que os países do bloco europeu dizem que Kiev está vencendo o conflito. Se essa avaliação fosse correta, afirmou Putin, bastaria a eles aguardar o fim do conflito. “Pois que esperem, nossas tropas continuarão cumprindo sua missão e farão tudo para alcançar os objetivos da operação militar especial”, declarou.

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Putin também reiterou suas críticas sobre o silêncio europeu após o ataque ucraniano contra o dormitório estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk,  que matou 21 adolescentes e deixou dezenas de feridos, em 22 de maio.

“Li que líderes europeus elogiam o uso inovador de drones. Confesso que imediatamente me ocorreu uma pergunta: o ataque ao dormitório estudantil em Starobelsk também foi um uso inovador? Os líderes ocidentais também elogiaram isso?”, questionou. “Não houve uma única palavra sobre esse episódio, não ouvimos absolutamente nada”, acrescentou.

Guerra na Ucrânia: ‘estamos prontos para continuar negociações’, diz Putin
Alexander Kazakov / TASS

Ucrânia

Putin afirmou durante a entrevista que a Ucrânia “pagará por seus crimes no solo de Kursk com a perda de territórios”. Ele pretende incorporar essas áreas à zona de segurança que Moscou pretende estabelecer ao longo da fronteira entre os dois países.

O presidente russo também afirmou ter rejeitado as propostas apresentadas por Kiev para limitar os combates nas regiões de Kherson, Zaporozhie, Donetsk e Lugansk. Segundo ele, “diante do déficit catastrófico de efetivo das Forças Armadas da Ucrânia, eles aparentemente acreditam que isso poderia representar uma forma de salvação”. “Salvar o regime de Kiev não está nos nossos planos”, acrescentou.

Ao comentar os ataques ucranianos contra a infraestrutura civil russa, Putin afirmou que eles não visam apenas causar danos, mas também alimentar uma campanha de informação, estratégia que, segundo ele, não surtirá efeito. “Não lhes daremos essa oportunidade.”

No último dia 18 de junho, a Ucrânia realizou um ataque massivo com cerca de 200 drones contra alvos em Moscou, atingindo uma importante refinaria de petróleo e deixando 17 pessoas feridas, entre elas três crianças.

Ao comentar o ataque, Putin defendeu uma coordenação entre todos os níveis e estruturas envolvidos para acelerar a produção de equipamentos de defesa contra drones e mísseis ucranianos. “Temos efetivamente todos esses sistemas de defesa. A questão é com que rapidez conseguiremos aumentar sua produção e fornecê-los às tropas e à proteção da infraestrutura crítica”, afirmou.

‘Front é o ponto’

Segundo ele, os reparos aos danos provocados ao setor energético estão sendo realizados rapidamente e esses ataques não alteram a situação no front. “Esse é o ponto fundamental. Todos os ataques contra nossa infraestrutura não têm absolutamente nenhum efeito sobre a situação na linha de contato de combate”, afirmou.

Sobre o front, Putin informou que as tropas russas se encontram a cerca de 10,5 quilômetros da cidade ucraniana de Sumy, considerada estratégica. Também disse que cerca de cinco mil militares ucranianos estão cercados na margem esquerda do rio Oskol, enquanto as tropas russas avançam sobre Kupyansk e, também, em direção a Zaporozhie.