Países europeus foram surpreendidos por proposta de Trump para Ucrânia, afirma NYT
Segundo jornal, líderes da UE recorreram ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para suprimir ‘pontos problemáticos’
Os países europeus foram surpreendidos com o anúncio da proposta de paz dos Estados Unidos para a Ucrânia. Reportagem do New York Times nesta quinta-feira (27/11) traz os bastidores da reação europeia aos 28 pontos de Washington, vazados pela imprensa norte-americana na quinta-feira (21/11) passada.
Segundo o jornal norte-americano, que conversou com 16 oficiais por dentro das disputas diplomáticas, um plano tão favorável a Moscou e o fato de Bruxelas ficar, deliberadamente, de fora das negociações, levou a uma corrida diplomática no último fim de semana.
O chanceler alemão Friedrich Merz, por exemplo, descobriu a existência do plano não por canais diplomáticos, mas por uma manchete de jornal. Segundo Daniel P. Driscoll, secretário do Exército dos EUA, os países europeus foram deixados de fora das negociações para evitar “cozinheiros demais” nas discussões. Ele mencionou que as autoridades europeias são próximas demais da Ucrânia para avaliar objetivamente a guerra.
Pela proposta de Trump, a Ucrânia teria de renunciar à participação da Organização do Tratado Atlântico do Norte (OTAN), e conceder à Rússia mais territórios do que o conquistado em 2022. Os ativos russos retidos, que Bruxelas conta para financiar as ações militares ucranianas, também deverão ser descongelados.
No dia do anúncio, os chanceleres europeus estavam reunidos em Bruxelas e só tomaram conhecimento do documento quando se dirigiam a uma reunião sobre o Sudão e a Ucrânia. Eles buscaram informações com o ministro ucraniano Andrii Sybiha, mas ele também não tinha informações sobre a proposta, informa o jornal.

Países europeus foram surpreendidos por proposta de Trump para Ucrânia, relata NYT
Press Service of the Russian Ministry of Defense/TASS
Corrida diplomática
A reação do bloco ocorreu no sábado, durante a cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul. De acordo com o NYT, Antônio Costa, presidente do Conselho Europeu, e Ursula von der Leyen, chefe da Comissão Europeia, buscaram o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e concluíram que somente uma resposta unificada poderia recolocar a Europa à mesa.
A hesitação dos chanceleres girou em torno de confrontar o plano ou apresentar uma nova proposta. Eles decidiram por uma estratégia pragmática: reconhecer publicamente o esforço dos EUA, mas afirmar que o documento só poderia servir como base inicial.
Os europeus divulgaram uma nota comum saudando o “trabalho contínuo dos EUA”, um gesto calculado para manter Trump acessível, aponta o jornal; e pegaram o primeiro voo para Genebra, no domingo, para participar de uma reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Enviados da Alemanha, França, Reino Unido, Itália e das instituições europeias tentaram modificar pontos centrais do plano de Trump. Segundo cinco fontes ouvidas pelo NYT, Rubio indicou em conversas privadas que os trechos do plano que afetavam diretamente países europeus seriam retirados das negociações imediatas.
Contraproposta
À noite, em coletiva, Rubio declarou que o documento era “vivo e respirante” e aberto a revisões, sugerindo que a Europa teria voz nas discussões relacionadas à OTAN e à segurança continental. No mesmo dia, representantes europeus informaram os 27 embaixadores do bloco que haviam conseguido conter os “pontos mais problemáticos” da proposta.
Na segunda-feira (24/11), eles apresentaram uma contraproposta com 12 pontos, incluindo a retirada da interdição da Ucrânia de participar da OTAN. Segundo NYT, os governos europeus ainda não têm consenso sobre o financiamento à Ucrânia em 2026 e permanece incerto se os EUA permitirão participação substancial do continente nas próximas etapas do plano.
“Há pouca razão para qualquer tipo de otimismo alegre. Ninguém quer desencorajar os norte-americanos e o presidente Trump de permanecerem do nosso lado”, resumiu o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, citado pela reportagem.























