Premiê da Hungria adverte Zelensky: ‘sem petróleo, não há dinheiro’
Vicktor Orbán afirma que não apoiará empréstimos da União Europeia à Ucrânia enquanto bloqueio de oleoduto russo continuar
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, voltou a elevar o tom contra o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ao condicionar o apoio financeiro da União Europeia a Kiev à retomada do trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba.
Zelensky busca a aprovação pelo bloco europeu de um empréstimo de 90 bilhões e euros para a reconstrução do país, após a guerra. Orbán e outros países, como a Eslováquia, posicionaram-se contra, o que gerou ameaças por parte de Kiev.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o líder húngaro afirma que seu governo não apoiará novos empréstimos ao país vizinho enquanto o bloqueio ucraniano ao escoamento do combustível russo persistir. “Se não há petróleo, não há dinheiro”, sintetizou Orbán.
“Se o presidente Zelensky quiser receber seu dinheiro de Bruxelas, deve abrir o oleoduto Druzhba”, acrescentou. Ele também informou que discutiu o tema com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, reiterando que a posição de Budapeste “permanece inalterada”.

Orbán pressiona Zelenski: ‘sem petróleo, não há dinheiro’
Reprodução vídeo / @PM_ViktorOrban
Oleoduto
No ano passado, ataques com drones e mísseis atingiram a infraestrutura do oleoduto em território russo, interrompendo o fornecimento para Hungria e Eslováquia. Kiev atribuiu a paralisação a danos provocados por ataques russos. O Kremlin nega que tenha atacado o próprio oleoduto e já anunciou que a instalação foi concertada e pode retomar as atividades.
Hungria e Eslováquia sustentam que o episódio é parte de uma chantagem política de Kiev em resposta a suas posições independentes na guerra. Em retaliação, os países suspenderam o envio de diesel à Ucrânia e bloquearam os empréstimos do bloco europeu a Kiev.
Segundo Orbán, autoridades ucranianas recusaram recentemente receber especialistas húngaros para discutir a questão. “Não estão falando do tema. Na verdade, eles próprios afirmam abertamente que não têm intenção de permitir que o petróleo russo barato chegue à Hungria”, afirmou.
O premiê húngaro também reiterou a acusação política que vem fazendo contra a interferência externa da Ucrânia nas eleições que ocorrem em abril no país. Orbán concorre pela União Cívica Fidesz-Húngara.
“O regime de Kiev está utilizando todo o bloqueio petrolífero simplesmente para interferir nas futuras eleições húngaras a favor do partido opositor Tisza”, afirmou.
























