Putin fala em ‘força total’ para recuperar Donbass caso Ucrânia mantenha ação armada
Presidente russo afirmou ter oferecido solução diplomática na região antes da operação militar em 2022, mas que Kiev 'preferiu guerra'
O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira (04/12) que Moscou ofereceu uma solução diplomática para o conflito no Donbass antes do início da operação militar em 2022, mas que a Ucrânia optou por uma ação armada. A declaração foi dada em entrevista à TV India Today, antes da visita oficial a Nova Délhi, e em meio a um contexto marcado pelos recentes avanços militares russos em Kharkiv, Donetsk e Zaporozhie.
O líder do Kremlin teria proposto que Kiev retirasse suas tropas do Donbass e autorizasse um processo de diálogo sob garantias internacionais. No entanto, segundo ele, “a Ucrânia preferia a guerra”.
“Ou libertamos esses territórios à força, ou então as tropas ucranianas abandonarão esses territórios e deixarão de combater”, reiterou.
De acordo com o chefe de Estado russo, Moscou está pronta para um acordo de paz desde que Volodymyr Zelensky determine a retirada total das forças ucranianas, o reconhecimento das novas fronteiras administrativas e as condições de “neutralidade, desnazificação, desmilitarização e desnuclearização”.
Na entrevista, Putin enfatizou que, durante oito anos, a sua nação evitou reconhecer as repúblicas populares de Donetsk e Luhansk. Por outro lado, optou por uma medida política que permitisse a restauração das relações com a Ucrânia. Porém, entendeu que “esse caminho havia sido esgotado” e que “as repúblicas estavam sendo destruídas”.
Ainda segundo ele, como a situação atingiu “um ponto crítico”, destacou a necessidade do controle de territórios via “força das armas ou de outra forma”, referindo-se a Donetsk, Luhansk, Zaporozhye e Kherson, bem como a já integrada Crimeia e Sebastopol.

Presidente russo Vladimir Putin realiza visita de Estado a Índia
Alexander Kazakov/TASS
O Kremlin diz que a proposta apresentada por Putin no meio do ano e reiterada recentemente constitui “a base realista para um cessar-fogo duradouro”, enquanto Kiev considera inaceitável qualquer negociação que envolva ceder território.
Na última terça-feira (02/12), Putin se reuniu com os enviados dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, por quase cinco horas, em Moscou, mas não sinalizou a consolidação de um acordo.
“Cada ponto precisa ser discutido em detalhe, já que a Rússia não concorda com todos. Mas foi uma conversa necessária e absolutamente concreta”, salientou o mandatário. Segundo ele, o presidente norte-americano Donald Trump é “sincero” nos esforços para “encontrar uma solução de consenso para o problema ucraniano”, porém “essa é uma tarefa difícil”.
Em paralelo, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio reconheceu nesta semana que Washington deve necessariamente dialogar com Moscou para o fim da guerra.
(*) Com Telesur























