Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou nesta segunda-feira (29/12) que a Ucrânia usou drones para atacar a residência do presidente russo, Vladimir Putin, em Valdai, na região de Novgorod.

“Na noite de 28 para 29 de dezembro de 2025, o regime de Kiev lançou um ataque terrorista usando 91 drones de longo alcance contra a residência oficial do presidente da Federação Russa na região de Novgorod”, disse Lavrov a repórteres em Moscou. Ele acrescentou que não houve relatos de vítimas ou danos.

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No briefing do Ministério da Defesa russo sobre as últimas informações do conflito, foi relatado que as forças de defesa aérea do país abateram 91 drones ucranianos, 41 dos quais sobrevoavam a região de Novgorod, 49 a região de Bryansk e um a região de Smolensk. Não houve menção a alvos específicos.

Serguei Lavrov afirmou que a Rússia responderá ao incidente. “Tais ações imprudentes não ficarão impunes. Os alvos dos ataques retaliatórios e o momento de sua execução pelas Forças Armadas Russas já foram definidos”, afirmou.

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O Ministro das Relações Exteriores da Rússia também prometeu que a Rússia mudaria sua posição nas atuais negociações de paz, afirmando que as posições de negociação russas “serão revistas”.

“Não pretendemos nos retirar do processo de negociação com os Estados Unidos. No entanto, dada a completa degeneração do regime criminoso de Kiev, que passou a adotar uma política de terrorismo de Estado, as posições de negociação da Rússia serão revistas.

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, por sua vez, relatou que Vladimir Putin informou o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o ocorrido durante uma conversa telefônica na segunda-feira.

Ushakov afirmou que o líder norte-americano ficou indignado com a declaração de que a Ucrânia havia atacado a residência de Putin. Segundo o assessor, Trump disse que não conseguia nem imaginar “ações tão insanas”.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a Ucrânia usou drones para atacar a residência do presidente russo, Vladimir Putin
Alexander Kazakov/Russian Presidential Press and Information Office/TASS

Versão da Ucrânia

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, por sua vez, classificou a declaração de Lavrov como “mais uma mentira da Federação Russa”. Segundo ele, Moscou pretende usar esta alegação como pretexto para atacar Kiev.

“Mais uma mentira da Federação Russa. É evidente que ontem [28 de dezembro] tivemos uma reunião com Trump, e é evidente que, para os russos, se não houver um conflito com os EUA — e estamos progredindo —, isso representa um fracasso para eles. Porque eles não querem o fim desta guerra; só podem terminá-la pressionando-os. Portanto, tenho certeza de que estavam procurando pretextos”, disse Zelensky a repórteres.

O presidente ucraniano acrescentou que as declarações da Rússia são “muito perigosas” que tais acusações podem minar todas as conquistas da Ucrânia e dos Estados Unidos na resolução do conflito.

“Os russos inventaram uma história obviamente falsa sobre um suposto ataque a alguma residência do ditador russo, para justificar a continuidade dos ataques à Ucrânia, particularmente a Kiev, e a recusa em tomar as medidas necessárias para pôr fim à guerra. Uma tática enganosa típica dos russos. Eles já atacaram Kiev, em particular o prédio do governo ucraniano”, acrescentou Zelensky.

O que os EUA disseram

O presidente dos EUA, Donald Trump, abordou o assunto em uma conversa com repórteres na Casa Branca, antes de uma reunião com a delegação israelense. Ele confirmou que soube das acusações russas por meio de Vladimir Putin, durante uma conversa telefônica em 29 de dezembro.

“Não gostei. É ruim. Soube disso esta manhã. O presidente Putin me contou. Hoje cedo, ele disse que foi atacado. É ruim. É ruim. Não se esqueçam, eu interrompi o fornecimento de mísseis Tomahawk [para a Ucrânia], eu não queria isso”, disse Trump.

O presidente Donald Trump acrescentou ainda que isso aconteceu em um “momento delicado”.

“Este não é o momento certo.” Uma coisa é ser agressivo porque eles são agressivos. Outra coisa é atacar a casa dele. Este não é o momento certo para nada disso. E não pode ser feito. E eu aprendi isso com o presidente Putin. Fiquei muito irritado com isso”, completou.

No último domingo (28/12), Trump e Zelensky se reuniram na Flórida. Eles discutiram um plano de paz de 20 pontos preparado por Kiev. Após a reunião, o presidente estadunidense pediu a aprovação acelerada do documento, alertando que, caso contrário, a Rússia continuaria seu avanço.

A questão territorial sobre a região de Donbass permanece sem solução. Moscou reforçou suas exigências nesta segunda-feira, afirmando que a retirada completa das forças ucranianas das áreas de Donbass onde Kiev ainda mantém controle.