Sexta-feira, 8 de maio de 2026
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou nesta terça-feira (10/02) que não há motivo para uma “percepção entusiástica” referente à pressão imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Europa e a Ucrânia. O chanceler russo, por outro lado, afirmou que todavia há “um longo caminho” nas negociações de paz com Kiev.

“Ainda não chegamos lá. As negociações continuam. A segunda rodada foi realizada em Abu Dhabi. Ainda há um longo caminho pela frente”, disse Lavrov em entrevista à emissora russa NTV

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Os comentários ocorrem dias após funcionários de alto escalão de Washington, Kiev e Moscou realizarem uma reunião trilateral em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O encontro em 5 de fevereiro resultou na troca de 314 prisioneiros e foi acenado pelo enviado especial do Kremlin, Kirill Dmitriev, que falou em “passos positivos” nas negociações. Entretanto, apontou também contra as tentativas de interferência de “belicistas europeus e britânicos”. Até o momento, não há uma data marcada para a próxima rodada de negociações, conforme as atualizações do Kremlin.

De acordo com Lavrov, qualquer tratado de paz sobre a Ucrânia deve incluir disposições sobre a eliminação das causas profundas do conflito, caso contrário as questões não serão resolvidas. Sobre isso, afirmou que os Estados Unidos estão “prontos para contribuir para o acordo eliminando essas causas profundas.”

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“Estou convencido de que os norte-americanos estão ouvindo nossos argumentos”, disse, acrescentando que o reconhecimento público de Trump sobre os interesses russos referentes à não expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) configura um “grande passo” vindo de uma figura ocidental. 

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que não há motivo para se entusiasmar à pressão imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Europa e a Ucrânia
Sergey Karpukhin/TASS

EUA buscam interesses globais

Durante a entrevista ao canal russo NTV, Lavrov descartou que os Estados Unidos pretendem somente dividir o mundo em zonas de influência, mas que querem avançar seus interesses globalmente por meio de “ações práticas”.

“Aqueles que dizem que essa nova estratégia de segurança nacional é essencialmente um reconhecimento dos Estados Unidos da necessidade de dividir o mundo, dizendo que esta é nossa zona de influência e entendemos que China e Rússia têm seus próprios interesses lá – isso não é totalmente verdade”, observou. “O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou claramente recentemente que o objetivo é ‘América em Primeiro Lugar’ globalmente. Os Estados Unidos têm interesses, e eles serão o foco principal das ações práticas de Washington”.

Em relação à política restritiva de Trump, incluindo à imposição de tarifas adicionais sobre as importações indianas caso o presidente Narendra Modi mantivesse a compra do petróleo russo – decreto revogado após reunião bilateral entre Nova Délhi e Washington na semana passada – Lavrov denunciou que os Estados Unidos buscam “assumir o controle do mercado de energia em escala global”.

Para o chanceler, a posição de liderança da Rússia no campo da energia nuclear representa um desafio para as autoridades norte-americanas e Washington busca reverter esse cenário. 

Expiração do New START

Com a recente expiração do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START) – pacto que limita o arsenal nuclear da Rússia e dos Estados Unidos desde a Guerra Fria –, Lavrov disse que “o Exército, a Marinha e agora também as Forças Aeroespaciais continuam sendo nossos principais aliados”. 

“Se decidirem tomar qualquer medida agressiva ou minar a soberania russa, podem enfrentar uma resposta absolutamente inadequada, pois esses são os fundamentos da dissuasão nuclear que sempre estiveram em vigor”, afirmou o ministro.

De acordo com o chanceler, os princípios do tratado foram destruídos durante a gestão do ex-presidente norte-americano Joe Biden e, agora, ele “simplesmente não existe mais”. Portanto, avaliou que não há necessidade de “reagir de forma exagerada ao suposto colapso do tratado”, já que “não está em vigor há três anos”.

Por fim, declarou que a Rússia monitorará de perto as ações dos Estados Unidos após o término do pacto, mas “tratará essa situação com total responsabilidade” e não tomará medidas que levem à escalada.

(*) Com TASS