Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, concedeu uma longa entrevista à agência TASS neste domingo (28/12), reiterando que Moscou não pretende atacar nenhum país europeu, salvo agressões venham de Bruxelas.

O chanceler russo acusou os governos europeus de inflarem a chamada “ameaça russa” e disse que os países estão exagerando uma suposta ‘ameaça russa’ e, com isso, reavivando sentimentos russófobos e militaristas na região.

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“A Rússia nunca tomou medidas inamistosas contra seus vizinhos europeus por iniciativa própria”, disse Lavrov, ao reforçar que Moscou não tem planos ofensivos, mas reagirá caso o país seja atacado. “Para os políticos europeus pouco perspicazes, a quem espero que seja mostrada esta entrevista, repito mais uma vez: não há porque temer que a Rússia ataque ninguém. Mas se alguém decidir atacar a Rússia, a resposta será esmagadora”, declarou.

Sobre as declarações do premiê húngaro, Viktor Orbán, de que a Bruxelas estaria se preparando para uma guerra contra o país até 2030, Lavrov disse que a União Europeia (UE) vem desmontando os mecanismos de cooperação entre os países desde 2014.

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“Vemos que, no momento, o ‘partido da guerra’ europeu, que investiu seu capital político na ideia de infligir uma ‘derrota estratégica’ à Rússia, está pronto para ir até o fim.”, salientou. E advertiu que qualquer contingente militar europeu enviado à Ucrânia no formato de uma “coalizão de voluntários” será considerado um “alvo legítimo” para as Forças Armadas russas.

Rússia reitera que não pretender atacar países europeus, mas adverte: resposta será ‘esmagadora’ se país for agredido
UN Geneva/Flickr

Estados Unidos

Questionado sobre o acordo de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lavrov disse que Moscou valoriza os esforços de Washington. “Agradecemos os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, e de sua equipe para alcançar uma solução pacífica. Pretendemos cooperar ainda mais com negociadores dos EUA para desenvolver acordos sustentáveis que abordem as causas profundas do conflito.”

Segundo Lavrov, a Europa se tornou hoje o principal entrave para a paz na região. “Quase toda a Europa – com algumas exceções – está injetando o regime com dinheiro e armas, sonhando com o colapso da economia russa sob a pressão das sanções”, afirmou.

Ele acrescentou que “após a mudança de administração nos Estados Unidos, a Europa e a União Europeia tornaram-se o principal obstáculo à paz. Eles não escondem seus planos de se preparar para a guerra com a Rússia.”

O chanceler russo também comentou a tentativa frustrada da UE de transferir ativos russos congelados na Bélgica para Kiev, afirmando que “escândalos de corrupção na Ucrânia, em Bruxelas e em outras capitais europeias são notados, mas não impedem que eles continuem usando o regime como um aríete militar contra a Rússia. Então, neste caso específico, os ‘olhos do Ocidente’, como dizem, estão bem fechados.”

Sobre a retirada da Rússia como “ameaça direta” na nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Lavrov disse que seus cenários centrais precisam ser testados por ações, mas que, de imediato, parecem inovadores. “Nossas conclusões finais serão feitas unicamente com base na análise das ações práticas da administração dos EUA no cenário internacional”, afirmou.

Irã e Gaza

Lavrov também comentou a situação no Oriente Médio, condenando os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra as instalações do programa nuclear iraniano, sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ele lembrou que a Rússia condenou “inequivocamente essas ações, que nada têm a ver com a legalidade internacional e a moralidade geralmente aceita”. E complementou: “as declarações de autoridades israelenses sobre sua disposição para recorrer à força contra Teerã no futuro não podem deixar de causar preocupação”.

Lavrov também mencionou a questão palestina. Disse que a situação em Gaza continua precária e avaliou ser “prematuro falar sobre o advento de uma paz duradoura”. “Violações do cessar-fogo são regularmente reportadas. Restrições significativas à importação e distribuição de ajuda humanitária permanecem”, detalhou.

O chanceler afirmou que a instabilidade no território é ofuscada pela incerteza sobre os próximos passos. Ele reiterou o apoio de Moscou à paz na região: “continuamos a defender uma solução justa do conflito palestino-israelense com base em um arcabouço jurídico internacional universalmente reconhecido”.

“A chave aqui é corrigir injustiças históricas e garantir a criação de um Estado palestino viável que coexista com Israel. Sem resolver essa questão, é difícil ver o que pode garantir uma paz duradoura para palestinos e judeus, e de fato para todos os outros povos do Oriente Médio”, acrescentou.

China e Japão

Lavrov também abordou a escalada de tensões entre o Japão e China, especialmente em torno de Taiwan. O ministro disse que a ilha está sendo usada como “instrumento de dissuasão militar-estratégica da China”, salientando também os interesses mercantis no conflito.

“Alguns no Ocidente não têm receio de lucrar com dinheiro e tecnologia taiwaneses. Armas americanas caras são vendidas para Taipei a preços de mercado. A demanda para transferir a produção de semicondutores para os Estados Unidos também pode ser vista como coerção para redistribuir a renda, uma espécie de ‘apreensão’ de negócios.”, afirmou.

O chanceler russo reiterou que Moscou “reconhece Taiwan como parte integrante da China e se opõe à independência da ilha em qualquer forma.” E salientou que Pequim tem “todos os motivos legítimos para defender sua soberania e integridade territorial”

Sobre um possível agravamento do conflito, Lavrov disse que o procedimento do país frente a este tipo de situação está detalhado no Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação com a China, 16 de julho de 2001. “Um dos princípios básicos estabelecidos neste documento é o apoio mútuo na proteção da unidade estatal e da integridade territorial”.

Ele também mencionou que o impacto de um conflito para a estabilidade regional e fez um apelo: “seria correto que nossos vizinhos japoneses pesassem tudo cuidadosamente antes de tomar qualquer decisão precipitada”.

* Com a agência russa Tass