Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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Os russos demarcaram uma posição clara nesta sexta-feira (23/01). Para negociar a paz na Ucrânia, é preciso que Kiev retire as tropas do território do Donbass. A fala feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, antecede uma reunião de dois dias e, pela primeira vez em quatro anos, vai colocar frente a frente Estados Unidos, Rússia e Ucrânia para negociar o fim da guerra. O encontro começa nesta sexta nos Emirados Árabes Unidos.

“As Forças Armadas da Ucrânia devem deixar Donbass e se retirar de lá. Esta é uma condição muito importante. Há também outras nuances que permanecem na agenda de negociação”, afirmou Peskov.

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O próprio presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, reforçou que as negociações em Abu Dhabi terão como um dos focos o controle da região que está na fronteira entre Rússia e Ucrânia.

Às vésperas da reunião, o presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, em Moscou. O encontro durou quatro horas e o Kremlin resumiu a conversa como “construtiva, informativa, extremamente franca e confiável”.

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No entanto, Putin reiterou que, para resolver de maneira permanente o conflito e garantir a “segurança da Rússia”, é preciso eliminar o problema que, para os russos, foi o responsável pelos problemas: a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao leste europeu. O governo russo considera que isso é uma ameaça e viola os direitos da população de língua russa na Ucrânia.

Mas a proposta russa vai além do Donbass. Para Moscou, é preciso que os ucranianos deixem também as regiões de Donetsk e Luhansk e das províncias de Zaporíjia e Kherson — zonas que foram votadas em consultas populares em 2022 e que o governo russo considerou como regiões incorporadas. O Kremlin exige que a Ucrânia se mantenha neutra, não-alinhada e desmilitarizada.

Putin exige fim da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao leste europeu
RS/via Fotos Publicas

Ucrânia topa?

Zelenski se mostrou confiante nesta quinta-feira (22/01). Em coletiva de imprensa, ele disse ter acordado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantias de segurança para um “pós-guerra” e chegou a afirmar que os “documentos para finalizar a guerra” estão quase prontos. Ele pediu “compromisso” dos russos ao que for acordado em Abu Dhabi.

No entanto, há um impasse envolvendo a cessão dos territórios que são administrados por Kiev. Zelenski disse que não abre mão dos territórios exigidos pela Rússia.

Em publicação nas redes sociais, o presidente ucraniano afirmou que as conversas com Trump foram feitas durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. A Casa Branca definiu a reunião de uma hora como “muito boa”.

O encontro nos Emirados Árabes terá a presença dos chefes de Estado. A Rússia será representada por Igor Kostiukov, chefe das Forças Armadas do país. Ainda de acordo com Moscou, os chefes do grupo bilateral de assuntos econômicos, Kirill Dmitriev e Steve Witkoff, também se reunirão em Abu Dhabi.

A Rússia deu o sinal verde nos últimos dias para que Washington seja responsável por mediar as negociações. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que os Estados Unidos são o único país ocidental “preparado para enfrentar a tarefa de eliminar as causas profundas” do conflito na Ucrânia.

O Kremlin também reconheceu os “esforços” feitos pela Casa Branca para preparar a reunião em Abu Dhabi. O conselheiro presidencial russo Yuri Ushakov disse que Moscou espera que a reunião seja “bem-sucedida e abra perspectivas de progresso em toda a gama de questões relacionadas ao fim do conflito”.