Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, admitiu nesta sexta-feira (12/12) a possibilidade de criação de uma “zona desmilitarizada” na região de Donbas, no leste ucraniano, onde não haveria tropas russas nem ucranianas, mas Moscou poderia enviar a “Rosgvardia” (Guarda Nacional russa) e forças policiais para estes territórios.

Na última quinta-feira (11/12), foi publicado na imprensa que autoridades ucranianas “chegaram a um acordo sobre a questão territorial” e estariam preparadas para retirar suas tropas de Donbas “se as tropas russas não entrarem nesses territórios”. De acordo com a publicação, Kiev teria sinalizado que “concorda ou até mesmo deseja que esses territórios sejam controlados por forças internacionais de paz”.

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Ao comentar estas reportagens relatando a suposta posição do lado ucraniano em entrevista à agência Kommersant, o assessor presidencial russo afirmou que “é perfeitamente possível que não haja tropas lá, nem russas nem ucranianas”.

“Sim, mas haverá a Guarda Nacional russa, nossa polícia, tudo o que for necessário para manter a ordem e organizar a vida”, completou Yuri Ushakov.

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Ao mesmo tempo, o assessor de Vladimir Putin enfatizou que a Rússia considera Donbas como parte de seu território e que não fará concessões nesse sentido. “Se não por meio de negociações, então pela força militar, este território ficará sob o controle total da Federação Russa. Todo o resto dependerá disso. Ou seja, um cessar-fogo só poderá ocorrer após a retirada das tropas ucranianas”, destacou.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Serhiy Kyslytsya, por sua vez, ao comentar as declarações de Ushakov, rechaçou a posição do Kremlin, dizendo que “a palavra ‘absurdo’ talvez não seja forte o suficiente para descrever a declaração sobre uma zona desmilitarizada com a Guarda Nacional russa e a polícia”.

Ele acrescentou ainda que a declaração de Ushakov poderia ser vista como uma rejeição das propostas estadunidenses para a resolução do conflito na Ucrânia.

Desfile militar durante o 78º aniversário da vitória soviética na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio de 2023
Sergei Bobylev / Kremlin.ru

A retirada das tropas ucranianas do território que controlam em Donbas era um dos pontos-chave do plano de paz elaborado pela a administração de Donald Trump, mas a Ucrânia inicialmente rejeitou esta proposição.

Já na última quinta-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, declarou que está sendo discutido um acordo segundo o qual as tropas ucranianas se retirariam de parte de Donbas, enquanto as tropas russas permaneceriam na região. Zelensky enfatizou que muitas questões ainda precisam ser resolvidas, incluindo o controle dessa zona.

Zelensky diz que pode realizar referendo sobre controle de Donbas

O presidente ucraniano também acenou para a possibilidade de realizar um referendo no país sobre o controle de Donbas, enfatizando que o povo ucraniano deve decidir o destino da região.

De acordo com ele, os Estados Unidos vêm propondo a criação de uma “zona econômica livre” desmilitarizada nestes territórios em disputa, mas “eles não sabem quem governará esse território”. Enquanto isso, no dia anterior, o jornal britânico The Telegraph noticiou que Kiev poderia ceder Donbas em troca de “concessões mútuas” da Rússia.

“Acredito que o povo ucraniano responderá a essa pergunta. Seja por meio de eleições ou de um referendo, deve haver uma posição do povo ucraniano”, afirmou o presidente ucraniano.

Zelensky também confirmou que Kiev enviou uma versão atualizada do plano de paz a Washington, mas que ainda não é a versão final. “O plano está sendo constantemente revisado e ajustado”, completou.