Trump contradiz autorização para fabricação de mísseis Patriot por parte da Ucrânia
Mandatário norte-americano diz que tecnologia de guerra pode ‘se voltar contra’ os EUA; declaração ocorre após Zelensky pressionar por licença
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31/07) que Washington precisa agir com cautela antes de autorizar terceiros a fabricar armamento com tecnologia estadunidense.
A declaração vem depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelar que o tema da concessão de licenças para a produção de mísseis dos sistemas Patriot em território ucraniano havia sido discutido em um encontro recente entre os dois líderes.
Segundo Trump, os Estados Unidos estão ampliando a capacidade de produção de mísseis de cruzeiro Tomahawk e dos sistemas antiaéreos Patriot, o que tornaria delicado transferir essa tecnologia a outro país.
Ele reconheceu que Zelensky tem interesse em obter ambos os sistemas – um de caráter ofensivo, outro defensivo –, mas disse duvidar que isso venha a se concretizar, alegando risco de que a tecnologia repassada possa, no futuro, ser usada contra os próprios Estados Unidos.
“Não acho que isso [autorização] vá acontecer nunca. Se você fornecer essa tecnologia a eles, um dia ela poderá se voltar contra você”, afirmou o presidente norte-americano.
O mandatário foi além na aparente negativa. Trump disse que a produção dos mísseis podem ser equiparadas à fabricação dos chips Nvidia, cujo processo produtivo funciona de modo a impossibilitar a sua cópia.

Desde 2022, os EUA já enviaram US$ 67 bilhões em apoio militar à Ucrânia
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Também nesta sexta-feira, Trump disse que a decisão sobre autorizar a produção de Patriot por parte de Kiev continua em aberto. O presidente norte-americano ainda afirmou que o seu governo está empenhado em encerrar a guerra e não em ampliar o envio de armamentos à Ucrânia.
Diante do impasse, Moscou afirma que o envio de armas ocidentais à Ucrânia não mudará o equilíbrio no campo de batalha e alerta que esses equipamentos serão considerados alvos legítimos de suas forças militares.
Promessa antiga
A postura contrasta com declarações feitas por Trump no início de julho deste ano, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Turquia, quando havia anunciado que concederia a Kiev uma licença para produção de mísseis Patriot.
Na ocasião, chegou a dizer: “Vamos lhes dar uma licença para fabricar Patriot. Isso é ótimo. Assim vocês não poderão reclamar que não lhes damos armas suficientes”, prometeu.
Desenvolvido pela fabricante americana Raytheon, o sistema Patriot é uma das principais defesas antiaéreas e antimísseis dos Estados Unidos, capaz de interceptar aeronaves, drones e mísseis balísticos.
Desde a invasão russa de fevereiro de 2022, os sistemas Patriot se tornaram um dos pilares do apoio militar ocidental a Kiev, ao lado de artilharia, veículos blindados e mísseis de longo alcance.
Dados publicados na plataforma War Costs apontam que, desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, em 2022, os Estados Unidos já forneceram mais de US$175 bilhões em assistência total à Kiev.
Desse valor total, cerca de US$67 bilhões só em ajuda militar, US$26 bilhões em apoio financeiro e mais de US$80 bilhões em assistência adicional de segurança. Esse montante é o maior pacote de ajuda militar dos Estados Unidos a um país desde a Segunda Guerra Mundial.
(*) Com informações de RT.
























