Trump pressiona Zelensky por resposta ao plano de paz, afirma FT
Presidente ucraniano buscará reunião com Washington nas próximas semanas; expectativa norte-americana é definição de trégua até o Natal
Negociadores dos Estados Unidos deram apenas alguns dias para que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, aceite a proposta de paz do presidente Donald Trump para a Guerra na Ucrânia, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (09/12) pelo Financial Times.
Fontes ouvidas pelo jornal norte-americano, afirmam que Washington exige que Kiev aceite perdas territoriais para a Rússia em troca de garantias de segurança ainda não especificadas. A expectativa de Trump é alcançar um acordo até o Natal.
Aos colegas europeus, informa FT, Zelensky relatou ter sido pressionado no último sábado, durante uma ligação de duas horas, pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e pelo genro do presidente norte-americano, Jared Kushner. Em resposta, o presidente da Ucrânia pediu tempo para conversar com os líderes europeus sobre as negociações.
Na última segunda-feira (08/12), em Londres, Zelensky se reuniu com lideranças da França, Alemanha e Reino Unido e anunciou que “os componentes ucraniano e europeu já foram desenvolvidos em mais detalhes, e estamos prontos para apresentá-los aos nossos parceiros na América”.
Ele também disse que a Ucrânia fará de tudo para organizar uma reunião de alto nível com os EUA nas próximas duas semanas sobre um acordo de paz. E garantiu que o país está pronto para um cessar-fogo, se a Rússia concordar.

Trump pressiona Zelensky por resposta ao plano de paz, afirma FT
Casa Branca / @whitehouse
Enquanto isso, destaca a RT, as forças russas avançam na linha de frente, onde o Exército ucraniano admitiu estar em desvantagem em termos de armamento e com dificuldades para repor os seus soldados. O plano apresentado por Washington inclui a retirada ucraniana de áreas do Donbass, atualmente sob controle de Kiev, uma das principais condições de Moscou para a trégua.
Eleições
A pressão norte-americana sobre Kiev ocorre em meio à intensificação do debate sobre a legitimidade democrática do governo Zelensky, aponta reportagem do The Guardian.
Em entrevista ao Político, Trump disse que o país “não tem eleições há muito tempo”, sugerindo o afastamento do país de um processo democrático. A declaração foi reforçada por seu filho, Donald Trump Jr., que acusou Zelensky de prolongar a guerra para permanecer no poder, sugerindo que os Estados Unidos poderiam “se afastar” da Ucrânia se o conflito continuar.
Questionado sobre a declaração do filho, Trump respondeu: “não é correto. Mas não está exatamente errado”.
Em resposta, o presidente ucraniano disse que essa é uma “questão para o povo da Ucrânia, não para pessoas de outros Estados, com todo respeito aos nossos parceiros”, mas afirmou estar pronto para novas eleições no país. Ele aproveitou para pedir “aos Estados Unidos e colegas europeus que ajudem a garantir a segurança para que, em 60 a 90 dias, possamos realizá-las”.
Segundo o jornal britânico, até mesmo membros da oposição reconhecem que um pleito agora poderia prejudicar o país. A Constituição ucraniana proíbe eleições durante a lei marcial e, caso o faça, terá de enfrentar fortes obstáculos, como garantir a votação de soldados na linha de frente, cidadãos deslocados internamente, refugiados no exterior e das pessoas que habitam áreas ocupadas.























