Zelensky diz que pode realizar eleições e sugere ‘trégua energética’; Kremlin reage com cautela
Presidente ucraniano diz que pode convocar pleito em dois a três meses, mas pede que EUA e Europa assegurem condições; Trump acusa Kiev de usar guerra para evitar votação
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou, na última terça-feira (09/12), que pode realizar eleições presidenciais dentro de dois a três meses, caso condições de segurança sejam garantidas a Kiev. A fala do líder ucraniano aconteceu após uma declaração de Donald Trump colocando a democracia em xeque e defendendo a realização de novas eleições.
Segundo Zelensky, as alegações de que o governo ucraniano está “se agarrando ao poder” e que esse seria o motivo pelo qual a guerra não termina são “absolutamente inadequadas”. O líder ucraniano enfatizou que a votação só poderá ocorrer com garantias de segurança para os cidadãos do país.
“Há duas questões para a realização de eleições: segurança — como fazê-lo sob fogo, sob mísseis; a segunda é a base legislativa para a legitimidade da realização das eleições”, disse Zelensky.
O presidente ucraniano pediu publicamente aos Estados Unidos e seus parceiros da União Europeia que garantam as condições para a realização da votação.
“Estou pronto para as eleições. Além disso, peço aos Estados Unidos, possivelmente juntamente com nossos colegas europeus, que garantam a segurança das eleições. Então, dentro de 60 a 90 dias, a Ucrânia estará pronta para realizá-las”, afirmou.
Zelensky também propôs a realização de uma moratória sobre ataques a instalações de energia, caso a Rússia concordasse, buscando um cessar-fogo temporário com Moscou.

Líder ucraniano sugere que pode realizar eleições entre 60 e 90 dias caso EUA e UE forneçam condições de segurança
President Of Ukraine / Flickr
Pressão de Trump
Em entrevista publicada à revista Politico, na última terça-feira (09/12), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a realização de eleições presidenciais na Ucrânia, afirmando que o prolongamento da guerra está sendo usado para evitar um novo pleito.
“Acho que é hora. Acho que é um momento importante para realizar eleições. Eles estão usando a guerra para evitar a realização de eleições, mas acho que o povo ucraniano deve ter uma escolha. E talvez Zelensky vença”, disse Trump.
O presidente dos EUA observou que as eleições presidenciais na Ucrânia “não acontecem há muito tempo” e questionou a democracia do país do leste europeu. “Sabe, eles falam de democracia, mas está chegando ao ponto em que não é mais democracia”, completa.
De acordo com a constituição ucraniana, as eleições, incluindo as presidenciais e parlamentares, podem ser suspensas enquanto tiver uma lei marcial no país. A lei marcial foi declarada na Ucrânia em fevereiro de 2022, logo após o início da guerra, e é regularmente prorrogada.
Nesse contexto, as eleições para a Verkhovna Rada (parlamento ucraniano), que em tempos de paz aconteceriam em outubro de 2023, e as eleições presidenciais, que seriam realizadas em março de 2024, foram suspensas pela continuidade do estado de guerra no país. Com a não realização das eleições, as autoridades russas constantemente alegam que o regime de Zelensky é “ilegítimo”.
Posição russa
Ao comentar a declaração do presidente ucraniano sobre a disposição de realizar eleições, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta quarta-feira (10/12) que o presidente russo, Vladimir Putin, tem enfatizado há muito tempo a necessidade de eleições presidenciais na Ucrânia.
“Isso é algo sobre o qual Putin vem falando há muito tempo. Isso é algo sobre o qual o presidente Trump falou recentemente. Veremos como as coisas se desenvolvem nessa direção”, disse ele.
Em 27 de novembro, Vladimir Putin disse que os cidadãos ucranianos “cometeram um erro estratégico ao terem medo de participar das eleições presidenciais”. Ele observou também que a suposta “ilegitimidade” do atual governo ucraniano torna mais difícil chegar a um acordo sobre o conflito entre os dois países. “Assinar quaisquer documentos com a atual liderança do país é inútil”, declarou o presidente russo.
Já em relação à sugestão de Zelensky de realizar uma “trégua energética”, o porta-voz do Kremlin afirmou que Moscou trabalha, “antes de tudo, para a paz, não um cessar-fogo”. “Uma paz sustentável, garantida e de longo prazo, alcançada por meio da assinatura de documentos relevantes, é uma prioridade absoluta”, completou.
























