Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, revelou nesta quarta-feira (24/12) a última versão do plano de paz norte-americano para a Ucrânia, negociado há semanas entre Washington, Kiev e Moscou. O projeto revelado prevê um congelamento da linha de frente, mas não resolve a questão de uma possível concessão de territórios à Rússia.

A bola agora está no campo dos russos: essa foi a mensagem que Zelensky quis comunicar ao revelar os resultados de semanas de negociações com os Estados Unidos; a última etapa tendo sido realizada em Miami, no fim de semana.

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O texto do projeto de 20 pontos não foi integralmente publicado pelo presidente ucraniano, mas seu conteúdo foi revelado durante uma reunião com jornalistas em Kiev, gravada na véspera e transmitida nesta quarta-feira.

Segundo Zelensky, a nova versão do texto propõe que “a linha de posicionamento das tropas na data desse acordo é a linha de contato reconhecida de fato. A possibilidade abriria caminho para discussões sobre a criação de possíveis zonas desmilitarizadas na Ucrânia supervisionadas por “forças internacionais”.

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“Um grupo de trabalho se reunirá para determinar o deslocamento das forças necessárias para pôr fim ao conflito, assim como para definir os parâmetros das futuras possíveis zonas econômicas especiais”, acrescentou.

O tamanho do exército ucraniano permaneceria o mesmo que atualmente, com 800 mil soldados em tempo de paz. No entanto, Zelensky destacou que as negociações entre Kiev e Washington não permitiram chegar a um “consenso” sobre as questões territoriais. Entre as várias exigências, Moscou impõe que Kiev ceda a parte da região oriental de Donetsk, ainda sob o controle dos ucranianos.

Zelensky disse estar “pronto” para se reunir com lideranças norte-americanas para tratar das “questões sensíveis”, depois de já ter sugerido, no passado, um encontro com representantes dos Estados Unidos e o presidente russo, Vladimir Putin.

Texto do projeto de 20 pontos não foi integralmente publicado pelo presidente ucraniano
Volodymyr Zelenskyy

Otan, Zaporíjia e eleições

Na nova versão do projeto, outra exigência crucial de Moscou permanece sem solução: o compromisso não prevê que Kiev renuncie formalmente a ingressar na Aliança Atlântica. “Cabe à OTAN decidir se deseja ou não acolher a Ucrânia entre seus membros”, disse Zelensky. “A decisão já foi tomada. Optamos por não alterar a Constituição ucraniana para incluir uma cláusula que proíba a adesão do país à OTAN”, reiterou.

A decisão modifica a versão anterior do plano, redigida pelos Estados Unidos, e considerada extremamente favorável à Rússia. O projeto de 28 pontos apresentado pelos Estados Unidos no final de novembro exigia de Kiev um compromisso jurídico de não aderir à aliança militar.

No que diz respeito à grande usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia desde 2022, no sul da Ucrânia, o plano propõe que ela seja operada conjuntamente por Moscou, Kiev e Washington — uma possibilidade rejeitada por Zelensky. “Para a Ucrânia, isso parece muito inadequado e não totalmente realista”, declarou.

O presidente ucraniano, cujo mandato se encerrou oficialmente em maio de 2024, também promete realizar uma nova eleição presidencial. Segundo ele, o projeto especifica que a Ucrânia deve organizar o pleito o mais rápido possível após a assinatura do acordo. Por outro lado, Zelensky ponderou que qualquer compromisso prevendo a retirada de suas tropas deve ser aprovado por referendo pelos ucranianos, o que exigiria um cessar‑fogo de 60 dias.

Resposta da Rússia

O presidente ucraniano disse esperar para esta quarta‑feira uma resposta da Rússia sobre a nova versão do plano norte-americano. “Teremos uma reação dos russos depois que os americanos tiverem falado com eles”, declarou.

O texto deve agora ser analisado pela Rússia. Questionado sobre o assunto nesta quarta‑feira, o porta‑voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou está “formulando sua posição” e se recusou a comentar os detalhes do projeto.

O exército russo vem acelerando seus avanços nos últimos meses. As forças ucranianas anunciaram na terça‑feira (23/12) que tiveram de se retirar da cidade de Siversk, um dos últimos bloqueios que impediam as tropas da Rússia de se aproximarem de Sloviansk e Kramatorsk, as últimas grandes cidades do Donbass sob controle ucraniano.

Na última noite, as forças russas realizaram um ataque contra infraestruturas petrolíferas e de gás da Ucrânia, provocando a paralisação dos equipamentos, indicou nesta quarta‑feira a empresa estatal ucraniana Naftogaz. Na véspera, bombardeios visaram a rede elétrica, provocando um apagão no país e matando três pessoas.