Terça-feira, 3 de março de 2026
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Após uma semana de confrontos na fronteira, Paquistão e Afeganistão acordaram um “cessar-fogo imediato”. Ambos os países comprometeram-se a parar de lutar e a trabalhar por “paz e estabilidade duradouras” após negociações de paz em Doha, informou o Ministério das Relações Exteriores do Catar no domingo (19/10), sobre o acordo mediado com a Turquia.

Numa rodada de conversações, “os dois lados concordaram com um cessar-fogo imediato e o estabelecimento de mecanismos para consolidar a paz e a estabilidade duradouras entre os dois países”, anunciou o Ministério das Relações Exteriores catari em comunicado.

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“As duas partes também acordaram realizar reuniões de acompanhamento nos próximos dias para garantir a sustentabilidade do cessar-fogo e verificar sua implementação de maneira confiável e sustentável, contribuindo assim para alcançar segurança e estabilidade em ambos os países”, acrescentou a pasta.

Após o anúncio do ministério do Catar, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, publicou a confirmação do acordo no X: “o terrorismo transfronteiriço a partir do território afegão cessará imediatamente. Ambos os países respeitarão a soberania e a integridade territorial um do outro”.

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Asif confirmou ainda que uma “reunião de acompanhamento entre as delegações está agendada para ocorrer na cidade turca de Istambul em 25 de outubro, a fim de discutir os assuntos em detalhes”.

O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que a trégua foi “o primeiro passo na direção certa”.

Um acordo de cessar-fogo foi firmado entre o Paquistão e o Afeganistão. "O terrorismo afegão em solo paquistanês cessará imediatamente", afirmou Khawaja Asif

Um acordo de cessar-fogo foi firmado entre o Paquistão e o Afeganistão. “O terrorismo afegão em solo paquistanês cessará imediatamente”, afirmou Khawaja Asif
@KhawajaMAsif / X

“Aguardamos ansiosamente o estabelecimento de um mecanismo de monitoramento concreto e verificável, na próxima reunião a ser organizada pela Turquia, para abordar a ameaça do terrorismo que emana do solo afegão em direção ao Paquistão. É importante envidar todos os esforços para evitar novas perdas de vidas”, publicou ele no X.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, declarou que, nos termos do acordo, “ambos os lados reafirmam seu compromisso com a paz, o respeito mútuo e a manutenção de relações de vizinhança fortes e construtivas”.

“Ambos os lados estão comprometidos em resolver problemas e disputas por meio do diálogo”, disse Mujahid numa publicação no X. “Foi decidido que nenhum dos países realizará ações hostis contra o outro, nem apoiará grupos que realizem ataques contra o governo do Paquistão.”

Mujahid afirmou que os países acordaram abster-se “de atacar as forças de segurança, civis ou infraestrutura crítica uns dos outros”.

Contexto

As hostilidades na fronteira com o Afeganistão eclodiram após as explosões de quinta-feira (09/10) em Cabul, que o Talibã atribuiu ao Paquistão, representando a escalada mais acentuada em meses de relações tensas. O motivo são alegações de que o Afeganistão abriga grupos armados por trás de ataques dentro do território paquistanês.

A violência eclodiu em 11 de outubro, depois que Islamabad supostamente realizou ataques em Cabul e na província de Paktika, no sudeste, contra o que afirmou serem grupos armados ligados a ataques dentro do território paquistanês. O exército do Paquistão afirma ter eliminado mais de 200 combatentes afegãos, enquanto o Afeganistão alega ter morto 58 soldados paquistaneses em confrontos ao longo da fronteira comum.

Autoridades paquistanesas disseram no domingo (12/10) que o país fechou as passagens ao longo da fronteira de 2.600 km (1.600 milhas) com o Afeganistão, uma divisa disputada da era colonial conhecida como Linha Durand, traçada pelos britânicos em 1893.